Financiamento de projetos de alto risco

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas

 

O crescimento econômico está associado ao grau de inovação de uma economia. Nesse segmento, destacam-se as startups, empresas nascentes que atuam com projetos de alto risco. Uma startup só consegue se estabelecer se tiver acesso a financiamento por longos períodos, necessários ao desenvolvimento e fixação do produto inovador.

 

Diferente dos países desenvolvidos, como os EUA, em que investidores fomentam o primeiro estágio das startups, no Brasil, os empreendedores que querem viabilizar o seu produto contam com um forte apoio do governo, via editais de incentivo à inovação de agências de fomento e de desenvolvimento (CNPq, SEBRAE, FINEP, SENAI e BNDES). Os valores aportados por esses editais variam de R$ 30 mil (SEBRAETec) até R$ 10 milhões (BNDES Funtec) por projeto e são classificados como não-reembolsáveis.

Adicionalmente, diversos incentivos governamentais foram criados por aqui para fomentar empresas que atuam com inovação. Um exemplo é a “Lei do Bem” (11.196/05), a qual concede incentivos fiscais às empresas que realizarem pesquisa e desenvolvimento por meio de descontos no IPI na compra de equipamentos destinados à inovação. Mais específica, a “Lei de Inovação Tecnológica” (10.973/04) trata do relacionamento entre universidades/instituições de pesquisa e empresas, com estabelecimento de regras para a incubação de startups no espaço público e compartilhamento de infraestrutura, equipamentos e recursos humanos, públicos e privados, além de criar regras claras para a participação do pesquisador público (servidor) nos processos de inovação tecnológica desenvolvidos para ou com empresas do setor privado.

 

Segundo estudo realizado pela Anprotec e SEBRAE, o Brasil conta atualmente com 369 incubadoras em operação, que abrigam 2.310 empresas incubadas e 2.815 empresas graduadas, gerando 53.280 postos de trabalho e com faturamento ultrapassando os R$ 15 bilhões. Há também benefícios fiscais no âmbito dessa mesma lei, sendo possível abater os dispêndios em atividades de P&D no imposto de renda da empresa incubada e obter recursos públicos não-reembolsáveis para investimentos em P&D por meio de chamadas específicas para determinados setores, como é o caso da energia (P&D ANEEL), cujo montante de recursos disponível está vinculado ao faturamento das concessionárias de energia do Brasil.

 

Para fugir da dependência do Estado, outras formas de financiamento, como o equity crowdfunding, ação de aceleradoras e de investidores ‘anjo’, vêm surgindo para as startups brasileiras e serão discutidas em breve por aqui. Aguardem.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes

November 12, 2019

Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Siga no Facebook
  • Facebook CMC