Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas

 

O perfil protecionista do presidente Donald Trump, eleito para a presidência dos Estados Unidos em novembro de 2016, contrasta em muitos aspectos com preceitos econômicos liberais. Disposto a cumprir as promessas feitas aos eleitores da maior economia mundial, o presidente vem dando ênfase ao investimento em infraestrutura, retorno dos projetos das indústrias aos EUA e maior avanço militar.

 

A expectativa de maior investimento em infraestrutura por lá é notícia positiva para empresas brasileiras exportadoras de commodities metálicas. Companhias como Gerdau e Vale, com forte exposição ao mercado americano, apresentam tendência de valorização. Essa última já viu suas ações preferenciais e ordinárias se apreciarem 127% e 97%, respectivamente, nos últimos 12 meses com o aumento do preço do minério de ferro.

 

Outro setor com boas perspectivas é o do agronegócio. Recentemente, o presidente assinou decreto retirando os EUA do Tratado Transpacífico. A partir dessa decisão, espera-se que as exportadoras agrícolas dos EUA, que competem com o Brasil internacionalmente, acabem por sofrer sanções econômicas, o que pode aumentar a competitividade de empresas nacionais no mercado externo.

 

Do lado negativo, um efeito adverso das políticas protecionistas por aqui é o provável aumento dos juros americano, que pode levar a uma fuga de capitais do Brasil para os EUA, com efeitos desfavoráveis na taxa de câmbio e prejuízos associados para as empresas com dívida em dólar. Nesse quesito, companhias como Oi, JBS e Fibria poderão comprometer um caixa maior com o pagamento dessas dívidas.

 

Até agora, o mercado financeiro americano parece estar reagindo positivamente a Trump. Os índices Dow Jones (20.071 pts.) e S&P 500 (2.297 pts.), termômetros para as empresas de lá, alcançaram marcas históricas no dia 03 de fevereiro. Como ressalta a economista Monica de Bolle, em recente artigo, investidores acham que as palavras usadas por Trump para se eleger não passam de retórica e que medidas mais radicais não serão levadas a cabo. Até aqui, entretanto, as ações do presidente eleito vêm demonstrando que ele está disposto a cumprir cada parte do discurso proferido. Entre mortos e feridos, esperamos que o Brasil se posicione do lado correto.

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