InovAÇÃO


Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas

A necessidade de encontrar os fatores responsáveis pelo crescimento econômico está cada vez mais presente nas discussões político-econômicas atuais. Dentre os diversos possíveis propulsores do desenvolvimento, encontra-se a capacidade de inovação de uma região. Por sua vez, a teoria econômica aborda o processo de inovação por meio de três etapas: invenção, inovação e difusão. As duas primeiras fases ocorrem de maneira integrada, ao passo que a terceira ocorre do “espalhamento” da inovação gerada para o restante da economia. Com a intenção de analisar a capacidade de inovação dos municípios de Minas Gerais, a Conjuntura Mercados e Consultoria (CMC) elaborou um Indicador de Capacidade de Inovação (INOVA) municipal, usando como referência os dados de 2015.

O indicador foi elaborado a partir de dados que descrevem o quanto de esforço está sendo empregado no processo de inovação no município. Tal esforço é medido por indicadores como bolsas de produtividade concedidas a pesquisadores, número de professores e alunos no ensino superior, número de doutores e mestres formados, quantidade de profissionais atuando na área de tecnologia e número de patentes registradas no município. Com base no INOVA, é possível notar que as cidades universitárias apresentam destaque na produção de conhecimento e tecnologia – já ponderada pelo tamanho dos municípios (por 100 mil habitantes) – em relação às maiores regiões do estado.

De acordo com o INOVA, Viçosa, Ouro Preto e Lavras foram, respectivamente, os municípios a apresentar maior capacidade de inovação, com recursos em processos de pesquisa concentrados. Em Viçosa e Lavras, a área de produção do conhecimento a obter destaque foi a das ciências agrárias, enquanto que em Ouro Preto o campo das engenharias assume o papel central. No que concerne à Santa Rita do Sapucaí e à Nova Lima, é observado uma convergência em termos de trabalhadores qualificados na área de tecnologia, graças às escolas de ensino técnico e superior nessas regiões. Para Juiz de Fora, a capacidade de inovação mensurada não figurou entre as melhores do estado, principalmente pelo seu desempenho no mercado de trabalho, mensurado pela qualificação da força produtiva no mercado local e geração de patentes. No entanto, a cidade obteve uma boa performance na quantidade de bolsas, discentes e docentes de ensino.

Uma vez realizada a inovação, tem-se o início do processo de difusão. Neste ponto, os efeitos não se restringem apenas ao município gerador de inovação, mas espalham-se para toda a região. A partir da inovação, espera-se que sejam observados ganhos diretos de produtividade (produção gerada por unidade de capital e trabalho empregado), principais responsáveis por gerar crescimento econômico e bem-estar social. Cabe destacar, nessa etapa, o papel fundamental dos agentes públicos e privados, que consiste, principalmente, em criar estímulos e condições para que o produto gerado pelo processo de inovação seja inserido em uma espécie de rede de consumo conectada, visando maximizar os benefícios gerados pelo investimento em inovação. Mais sobre isso, em breve.

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