Bolha Financeira

 

O que é uma bolha?
     Bolhas financeiras, períodos de alta e baixa, circuit breaker são palavras que assustam e fascinam milhares de investidores ao redor do mundo. Bolhas especulativas, como são também chamadas, acontecem quando o preço do ativo é formado a partir de uma visão distorcida do futuro. Portanto, ele não representa o valor intrínseco do que se negocia. Essa situação pode acontecer, basicamente, por três fatores: especulação, indução à demanda por crédito pelas instituições financeiras e causas estruturais. Nesse cenário, os órgãos responsáveis pela estabilidade do poder de compra da moeda e pela solidez do sistema financeiro são obrigados a absorver a liquidez do mercado. Caso isso não ocorra, a moeda do país se desvaloriza.

 

EUA: será que estamos diante de uma nova bolha?
     Nos últimos meses, devido à incrível alta dos índices americanos, como o S&P 500 e o NASDAQ-100, que desde o início de 2013 acumulam altas de 74,2% e 123,40% respectivamente (9,20% e 19,72% apenas em 2017), começaram a circular rumores de que existiria uma nova bolha se formando no mercado acionário americano. Nomes como Jim Rogers, Marc Faber e Bill Gross são alguns dos que vêm apontando para uma bolha. Entre as justificativas, estão a alta expansão dos balanços dos Bancos Centrais, o crescimento explosivo da dívida da China, segunda maior economia do mundo – que injetam liquidez no sistema financeiro mundial – além da possível continuidade da alta nas taxas de juros dos EUA, que deveria frear o consumo e puxar os preços dos ativos financeiros para baixo, algo que não vem ocorrendo.
     Alguns indicadores de mercado já mostram uma aceleração desproporcional do mercado americano. Tomemos por exemplo o P/E10 (preço da ação/lucro médio dos últimos dez anos por ação da companhia emissora). Esse índice evita que distorções pontuais do lucro impactem nos resultados e mostra quanto os investidores estão dispostos a pagar por um certo lucro das empresas, revelando as expectativas dos investidores quanto ao futuro

 Fonte: https://www.advisorperspectives.com/dshort/updates/2017/08/02/is-the-stock-market-cheap

 

     Considerando o mercado até o final de Julho de 2017, podemos ver que o P/E10 do S&P 500 está muito acima da tendência desde 1870. Para fins de comparação, em 1929 (ano do crash da bolsa), o P/E10 estava em 32,6; em 2000, 44,2 e, atualmente, está em 30, nível já superior a 2008 e perto do de 1929.
     O que esse dado nos mostra é que o mercado está pagando um valor mais alto para o lucro das empresas, aumentando o risco para o investidor, pois a aposta em uma aceleração do lucro das empresas está cada vez mais alta, tornando o S&P 500 cada vez mais caro. Porém, os investidores não esperam uma empresa apresentar lucros maiores para comprar suas ações, mas sim a expectativa de alta nos lucros. Para as empresas terem uma alta em seus lucros, é necessário que suas receitas aumentem, também sendo necessário que os salários subam, elevando assim o consumo. Será que isso vem ocorrendo?

Fonte: https://fred.stlouisfed.org/series/MEHOINUSA672N

 

     Como podemos ver pelo gráfico acima, em 2010, a renda real mediana anual era de US$53.568,00 e em 2015 chegou a US$ 56.516,00, um aumento de 5,50%, um pouco acima também dos níveis de 2008, quando estava em US$ 55.376,00. Os número não revelam uma alta tão expressiva quanto a que os índices de mercado vêm apresentado, indicando um preço desproporcional das ações em relação ao lucro que as empresas vêm apresentando.
     Por outro lado, o índice de confiança do consumidor está acima dos níveis de agosto de 2007, quando chegou a 111,9. Em junho de 2017, ficou em 117,3, chegando a níveis raramente alcançados desde 1970. Mesmo assim, o lucro das empresas não vem aumentando tão rápido quanto seus preços.

Fonte: https://br.investing.com/economic-calendar/cb-consumer-confidence-48

 

     Aliado a isso, o alto crescimento da dívida chinesa, que é a 2ª maior economia do mundo e movimenta a economia mundial, vem preocupando especialistas.

Uma das principais agências de risco mundiais, a Moody`s, rebaixou pela primeira vez a nota da China em 30 anos, de A1 para Aa3, alertando justamente para o alto endividamento do governo chinês, que foi usado para estimular o crescimento do país nos últimos anos, crescimento este que vem desacelerando e passou de 10,64% em 2010 para 6,70% em 2016. De acordo com projeções da Moody`s, o peso direto da dívida da China deve passar de 40% do PIB até 2018 até cerca de 45% até o final da década.
     É bom lembrar que uma desaceleração dos investimentos chineses se reflete no mundo inteiro, podendo frustrar um maior aumento dos lucros das empresas e tornando o atual P/E10 extremamente caro, fazendo com que os mercados ajustem os preços para baixo.

 

Conclusão
     O que podemos perceber dos dados acima é que as apostas para uma aceleração nos lucros das empresas estão se tornando cada vez maiores, o mercado de ações vem se mostrando altamente confiante quanto ao futuro da economia americana e mundial, fato que vem se mostrando cada vez mais arriscado devido à tendência dos próximos anos para a taxa de juros americana (alta) e desaceleração ou colapso da dívida chinesa, tornando os atuais preços dos ativos americanos extremamente caros.

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November 12, 2019

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