Mais uma queda na Selic

 

Já são 8 quedas seguidas
     Durante os dias 5 e 6 de setembro o Comitê de Política Monetária (Copom) se reuniu, e ficou decidido, por unanimidade, mais uma queda na taxa Selic, que saiu de 9,25% aa para 8,25% a.a. Essa foi a oitava queda seguida da taxa, que iniciou o ano a 13,75% a.a. O Copom terá mais duas reuniões em 2017, uma no final de outubro e a outra no início de dezembro, e é esperado pelo mercado que a taxa chegue aos 7,25% a.a., que seria a menor desde abril de 2013, quando bateu os 7,16% a.a.


Possíveis efeitos:
- A taxa Selic é utilizada como instrumento de controle da inflação. Quando a inflação apresenta crescimento, o Banco Central eleva a Selic para desestimular o consumo e assim frear o aumento do índice de preço. Porém, o IPCA está em queda nos últimos meses no país: usando de exemplo o mês de agosto, observamos uma pequena variação em relação a julho, 0,19%, e o acumulado em doze meses foi de apenas 2,48%. Com isso abre-se espaço para o BC diminuir a taxa Selic, e tentar assim aquecer a economia que vem sofrendo com o desemprego alto e baixo nível de atividade, uma vez que a queda estimula o consumo.
- Uma redução na Selic pode também levar a um aumento da formação bruta de capital fixo no país, em razão de a tomada de crédito ficar mais barata. Com o custo do dinheiro mais baixo, as empresas têm incentivos para investir mais e ampliar a produção, além do efeito esperado sobre o consumo discutido acima.
- Uma variação na taxa de juros de referência como a Selic pode também mudar a forma da população poupar, pois uma taxa elevada é uma forma de incentivar a venda de títulos de renda fixa, posto que existe uma relação inversa entre preço e rentabilidade. Portanto, a queda nos juros sinaliza que os preços vão aumentar. Com os preços dos títulos subindo, a caderneta de poupança passa a ser mais vantajosa em relação aos títulos de renda fixa, pois a queda dos juros interfere menos na poupança do que nos títulos, já que a sua rentabilidade é protegida por lei e, principalmente, esta possui isenção de imposto de renda sobre o rendimento. Importante salientar que uma queda na Selic pode ter impacto na capacidade de venda dos títulos do tesouro no mercado, já que existe uma certa incerteza política em relação ao governo e uma queda na taxa implica em um aumento de preços, logo a demanda pode cair também.
- A Selic possui também efeitos sobre a taxa de câmbio do Real para o Dólar, já que uma mudança nos juros influencia a compra de títulos por investidores não residentes no país, e assim afeta a oferta de moeda estrangeira no mercado de câmbio. Com a queda na rentabilidade, o investidor pode decidir por transferir recursos para papéis de outros países, diminuindo a oferta de moeda estrangeira e, consequentemente, depreciando o Real frente ao Dólar.


A economia está respondendo?
     Desde outubro de 2016 a meta da taxa Selic apresentou oito quedas seguidas, saindo de 14,25% a.a., para os atuais 8,25% a.a. A taxa real de juros variou, no mesmo período, de 5,91% para 5,39% (para o cálculo, foi utilizada a inflação acumulada nos últimos 12 meses).
       Notamos que, mesmo com uma variação de 6% na taxa nominal, a taxa real variou apenas 0,52%, e, com isso, muitos dos possíveis efeitos da redução podem ser minimizados.
     Como exemplo podemos analisar o comportamento da formação bruta de capital fixo, que, segundo o IPEA, teve uma retração de 1,3% no segundo trimestre em relação ao primeiro, um movimento contrário ao que é esperado com as repetidas quedas dos juros nominais. Apesar de ainda não observarmos a efetividade de tal movimento monetário, é natural que haja uma “demora” dos agentes em responder a tal ação. Portanto, sendo a taxa Selic uma das principais formas do Banco Central tentar controlar a inflação e aquecer o consumo, visto que ela pode interferir em variados índices de preço e nos juros reais, devemos nos manter atentos as respostas dos envolvidos. O primeiro impulso já veio.

 

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November 12, 2019

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