Inflação x Desemprego

October 20, 2017

 

Relação
   Uma dentre as mais importantes relações na economia e talvez uma das mais estudadas é, sem dúvida, o trade off existente entre o desemprego e a taxa de inflação, que é representada pela Curva de Phillips. Segundo esta, uma alta taxa de desemprego, ou baixo nível de atividade econômica estaria associado a uma taxa de inflação decrescente. Embora existam diversos estudos que buscam estabelecer esta relação, os dados observados para a economia brasileira no período compreendido entre o final de 2014 até o início de 2016 para estas variáveis pareciam contradizer o postulado teórico. Com efeito, ambas as taxas demonstraram um alto crescimento neste período: o desemprego saiu de 6,50% em dezembro de 2014, para 10,20 em janeiro de 2016, e a inflação acumulada em 12 meses nesse mesmo período saiu de 6,41% para 10,71%.

     Mas então pergunta-se: o que efetivamente aconteceu?


     Os Fatos

- Após atingir 10,71% em janeiro de 2016, o IPCA apresentou várias quedas seguidas, atingindo 2,71% em setembro de 2017. Entretanto, diferente do período de 2014 à 2016, a relação postulada pela Curva de Phillips prevaleceu com uma devida defasagem, e a queda da inflação levou a um aumento do nível de desemprego, que chegou a atingir 13,70% no primeiro trimestre de 2017. No gráfico abaixo ilustramos o comportamento das duas variáveis e é possível visualizar melhor o que aconteceu.
- Num primeiro momento observamos uma escalada nos preços e concomitante um aumento na taxa de desemprego movimento este que é revertido a partir de janeiro de 2016, quando o aumento do desemprego passa a acontecer concomitante com uma redução na taxa de inflação.
   

    Relação entre inflação e desemprego de janeiro 2014 e agosto de 2017

 

- Mas o que pode nos ajudar a entender este movimento aparentemente desconexo? A taxa de desemprego não aceleradora da inflação (NAIRU), Esta taxa é definida como a taxa de desemprego que é consistente com uma taxa de inflação estável, a qual não implicaria aceleração nos preços. Palma e Ferreira (2017) estimam que a NAIRU para a economia brasileira entre 2010 e 2015 seria em média 6,9%. Esse resultado parece consistente com o observado no gráfico acima. Justamente no período em que a taxa de desemprego está abaixo deste valor observamos uma aceleração nos preços.          Por sua vez quando a taxa de desemprego cruza este valor numa escalada crescente observamos a virada no gráfico com a inflação diminuindo rapidamente à medida em que o desemprego se afasta dos 6,9% calculados e aproxima-se do seu pico de 13,7%.
- Com efeito, com o alto nível de inflação e de desemprego, a demanda agregada da economia sofreu contração, pois a perspectiva de consumo, das famílias e do governo, diminuiu, o que levou a uma redução do investimento das empresas, sendo assim induzindo a retração do produto e a rápida elevação no desemprego. Após o IPCA
passar dos 7,14% em janeiro de 2015, o PIB, os gastos das famílias, do governo e o investimento apresentaram variação negativa em todos os trimestres de 2015 e 2016.

 

    E o Futuro?
    O IPCA acumulado nos noves primeiros meses de 2017 é de 1,78%, e é esperado fechar o ano em 2,98%, abaixo do piso, segundo o Boletim Focus do Banco Central, bem diferente dos 10,67% acumulado em 2015. No primeiro trimestre do ano, o PIB apresentou pela primeira vez desde os últimos três meses de 2014, crescimento positivo de 1% em relação ao trimestre anterior, e no segundo novamente demonstrou um crescimento, porém desta vez quase nulo de apenas 0,2%. Outra variável que voltou a crescer em 2017 foi o consumo das famílias, que teve uma elevação de 1,4% no segundo trimestre.
  Apesar dos números positivos no PIB e no consumo, o desemprego ainda expressa números muito distantes da estimativa da NAIRU de 6,9%, em agosto de 2017 a taxa é de 12,6%, um cenário melhor do que o observado em janeiro, quando o nível está em 13,7%, porém ainda preocupante. A formação bruta de capital fixo e os gastos do governo continuam apresentando variações negativas, nos dois primeiros trimestres de 2017, apesar do crescimento do PIB. Já a taxa de juros básica da economia (SELIC) apresenta queda significativa, segundo os dados diários do Banco Central em outubro de 2017 a taxa está em 8,15%, e esperada fechar o ano em 7,25%.
  Depois de dois anos considerados perdidos para a economia, o Brasil volta a apresentar perspectiva de crescimento econômico para os próximos anos. Inflação, juros, PIB e consumo apresentam números positivos, e se esperam números melhores para 2018, entretanto o alto número de desempregados ainda é um problema a ser solucionado.

 


Referências: Palma, A. A e Ferreira, D; Nairu, Inflação e Curva de Phillips no Brasil: novas evidências a partir de um modelo tempo-variante. Estud. Econ. vol.47 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2017
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-41612017000100039

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