A necessária retomada de investimentos

 

“A questão”
    Um fator importante para o crescimento sustentado de qualquer economia é justamente o nível de Formação Bruta de Capital Fixo (Investimentos) que a mesma apresenta. No caso do Brasil, que pelo segundo trimestre consecutivo apresentou crescimento de seu PIB, analisar o desempenho do nível de investimentos nos parece essencial em um período de tentativa de retomada econômica. O objetivo é procurar resposta para a seguinte questão: Em qual medida podemos esperar a superação do período crítico que vivenciamos com a crise que se abateu sobre o país a partir de 2015?

 

“Os Dados”

- No segundo trimestre de 2017 a Formação Bruta de Capital Fixo apresentou queda de 0,7% frente aos três primeiros meses do ano. O fator mais preocupante é justamente a sequência de variações negativas demonstradas pela economia brasileira. O último crescimento visto foi no segundo trimestre de 2016 (elevação de 0,4%) e antes deste, somente pôde-se perceber variações positivas no final do ano de 2013 na ordem de 0,1%.
- A comparação com igual trimestre do ano anterior também não traz alento, pelo contrário, percebe-se uma redução de 6,5% na Formação Bruta de Capital Fixo no segundo trimestre de 2017. Os números se tornam mais desanimadores quando se leva em consideração que, já em 2016, tal variável apresentava queda de 8,6% frente a 2015.
- Quando se trata da taxa acumulada ao longo dos seis primeiros meses do ano, novo número negativo, de janeiro a junho houve redução de 5,1% em comparação com igual período de 2016.
- Os dados apresentados acima refletem sobre os desembolsos efetuados pelo BNDES, um dos principais fornecedores de crédito a grandes empresas do país. No acumulado do ano (janeiro a setembro), o volume de 49,9 bilhões de reais em empréstimos concretizados resultou em queda nominal de aproximadamente 20% em relação ao ano passado.
- No que diz respeito a consultas para novos empréstimos, uma variável que pode ser considerada antecedente da performance do total de investimento da economia nos próximos trimestres, o retrato também é de redução da demanda por recursos. O somatório ficou na casa de R$ 74,9 bilhões, representando redução nominal de 12% em relação a 2016.
- Fator positivo fica por conta do setor de Infraestrutura, que se destacou como um ponto fora da curva nas aprovações de crédito do banco. O mesmo apresentou um aporte recebido de R$ 19,8 bilhões, caracterizando alta nominal de 37% frente igual período de 2016.
- Na análise do investimento direto externo no país os dados se mostram melhores. Para o mês de setembro ante o mesmo mês do ano anterior, os ingressos de capitais superaram as saídas em 6,3 bilhões de dólares, frente aos 5,2 bilhões em setembro do ano passado.
- Ainda seguindo a linha apresentada acima, vale destacar que o investimento direto externo ainda não se encontra em níveis como do ano de 2014, mas chega a se aproximar. Em setembro daquele ano, por exemplo, os ingressos de capitais no país superaram as saídas em 7,8 bilhões de dólares.

 

“O que isso significa”

     Como pode ser percebido analisando os dados atuais da economia brasileira, a retomada do volume de investimentos presenciados outrora ainda não se concretizou. A baixa pressão inflacionária (Expectativa de 3,0% no acumulado do ano – Boletim Focus), associada à alta taxa de desemprego no país que ainda se situa na casa de 13% (IBGE), parece desencorajar os investimentos em ampliação da capacidade produtiva das empresas. Ainda que o consumo das famílias tenha demonstrado variação positiva de 0,7% no segundo trimestre deste ano ante o mesmo período do ano anterior, tal retomada ainda não foi suficiente para corroborar uma ampliação significativa da demanda a ponto de atrair novos investimentos para o país. Em confluência com tais fatos, o quadro de instabilidade política que perpetua no cenário brasileiro também atua na contramão do crescimento do volume de investimentos em território nacional, os dados atuais de tal cenário ainda parecem não trabalhar no sentido de gerar expectativas positivas no curto prazo para possíveis investidores, fator determinante para um maior ingresso de capitais e consequente aquecimento da economia brasileira. Enquanto o relativo marasmo econômico continua a prevalecer, o investimento segue sua trajetória de queda com poucos sinais de recuperação.

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November 12, 2019

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