A Evolução das Relações entre Brasil e os Demais Países do MERCOSUL

 

“A questão”
   Em 1991, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil se reuniram e assinaram o Tratado de Assunção, um acordo a fim de criar um bloco econômico entre países latino-americanos, o chamado Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). Tal bloco estendeu-se e, posteriormente, passou a englobar todos os países da América do Sul, seja como Estado Parte (As quatro nações originais) seja como Estado Associado (Os demais países). Os objetivos básicos propostos inicialmente eram a integração e a livre circulação de bens entre os membros, criação de uma Tarifa Externa Comum e fortalecimento econômico. Nesse sentido, é válido promover uma análise da evolução das relações entre Brasil – na condição de maior nação – e o restante do bloco, a fim de observar como tal vínculo impactou a balança comercial nacional e realizar uma comparação com demais parceiros comerciais.

 

“Fatos”
- Quando se trata do intercâmbio comercial brasileiro com o MERCOSUL percebe-se que as exportações oscilaram desde 2000 de modo relativamente comportado, ficando na casa de 10%. No início do milênio, o bloco era destino de cerca de 14% das exportações brasileiras, já em 2017 essa participação se situa em 10,3%.
- No que diz respeito ao outro lado moeda, a série histórica das importações de produtos advindos de países latino-americanos mostra uma trajetória de queda, passando de 13,96% em 2000 para 10,26% em 2009 e 7,9% até o mês de novembro desse ano.
- O fato ressaltado acima pode estar relacionado à rápida evolução tecnológica de outros parceiros comerciais brasileiros, como China e EUA, o que dificulta a competição para países com menor intensidade de capital voltado para bens com tecnologia de ponta, como o caso dos vizinhos do Brasil.
- O saldo da Balança Comercial brasileira restrita a essas nações, de janeiro a novembro de 2017, apresenta um superávit de aproximadamente 9,7 bilhões de dólares.
-Quando leva-se em consideração o nível de desagregação dos produtos comercializados, percebe-se que o Brasil apresenta maior força no ramo de manufaturas, sendo que estas corresponderam a cerca de 88% dos bens exportados aos demais países do bloco de janeiro a novembro deste ano. Tal tendência se repete na grande maioria das observações da série histórica analisada
- As exportações de veículos do Brasil para a Argentina também possuem peso considerável, visto que correspondem a aproximadamente 36% do total de produtos enviados à nação vizinha até novembro deste ano. A título de comparação, tal valor representa cerca de 28% do total de exportações brasileiras para o MERCOSUL.
- Promovendo um paralelo entre os demais parceiros comerciais com grande importância na balança comercial, percebe-se que o fluxo de exportações nacionais para EUA (12,24%), União Europeia (15,97%) e China (22,05%) superou o fluxo Brasil - MERCOSUL(10,3%).
- No que tange as importações o mesmo se repete, visto que a gama de produtos advindos dos EUA (16,47%), União Europeia (21,28%) e China (18,17%) também foi maior que a das nações latinas (7,9%).

 

“Significado”
    Diante dos fatos apresentados acima, percebe-se que o MERCOSUL possui relativa importância para o setor externo brasileiro, visto que os fluxos comerciais entre ambos são consideráveis. Contudo, fica evidente também que tal relação já foi mais acentuada e ao longo dos últimos 10 anos veio perdendo peso. Tendo em vista a ascensão chinesa como uma nação poderosa no mercado internacional e a elevação dos vínculos sino-brasileiros, a perda de importância relativa do bloco é justificada. Do ponto de vista da integração cultural e do fortalecimento das nações pode-se dizer que a criação do mesmo obteve êxito e angariou participação considerável internacionalmente (vide possível acordo com a União Europeia no próximo ano). Apesar dos problemas enfrentados ao longo do tempo, como as sanções e posterior suspensão da Venezuela, o bloco em si manteve sua ideia base e conseguiu promover benefícios aos envolvidos, fato esse que demonstra persistência e coordenação das nações latino-americanas.

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November 12, 2019

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