Inflação baixa, preços também?

Após algum tempo convivendo com inflação alta, acima da meta proposta pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, o brasileiro viu em 2017 a queda do IPCA, Índice de Preço ao Consumidor Amplo, de forma um tanto brusca. Indicada para fechar o ano entre 3% e 6%, a inflação finou 2017 em 2,95% a.a., menor valor desde 1998, quando foi de 1,65%. Fez-se então necessárias explicações por parte do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que ajudaram, inclusive, a sanar uma dúvida: se a inflação caiu, por que não sinto no bolso?


O que impacta no índice?

  • O IPCA é o resultado final da média ponderada de 9 sub índices: Alimentação e Bebidas; Habitação; Artigos de Residência; Vestuário; Transportes; Saúde e Cuidados Pessoais; Despesas Pessoais; Educação; Comunicação. A ponderação é feita de acordo com a importância de cada um desses sub índices na cesta de consumo básica dos brasileiros para o IBGE. Atualmente a divisão é da seguinte forma:

  • O resultado abaixo do esperado da inflação foi fruto, principalmente, da deflação apresentada pelo sub índice mais relevante do indicador: Alimentação e Bebidas teve queda nos preços de 1,87%, proporcionada, em grande parte, pela safra agrícola recorde no ano de 2017. O choque positivo de oferta aliviou os preços e fez com que o resultado de baixa fosse consolidado;

  • A alta dos combustíveis colaboraram para a ausência de sentido da diminuição da inflação. Muito presentes na cesta da população, o gás de cozinha e a gasolina dispararam em 2017, principalmente no fim do ano. O botijão de gás teve elevação de 16% em seu preço, e o gás encanado de 11,04%. Já a gasolina, alvo de inúmeras oscilações ao longo do ano, por alteração de valores nas refinarias e até mesmo de greves dos trabalhadores do setor, alcançou alta de 10,32%, enquanto o etanol subiu 3,18%, o diesel 8,35% e o gás veicular 8,19%. Houve ainda a alta de preços administrados, como o da energia elétrica, que subiu 10,35% no período;

  • Além da diminuição de 1,87% no sub item Alimentação e Bebidas, os demais contribuíram com: alta de 6,26% na Habitação; queda de 1,48% em Artigos de Residência; elevação de 2,88% em Vestuário; subida de 4,10% para Transportes; mais 6,52% em Saúde e Cuidados Pessoais; 4,39% a mais em Despesas Pessoais; encarecimento de 7,11% em Educação; e, por fim, acréscimo de 1,76% nos preços de comunicação.


Portanto...

Como dito pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “inflação baixa não significa diminuição dos preços, e sim que estão subindo menos”. Portanto, após 3 anos de inflação acima da meta do Copom, é normal que ainda haja estranhamento nos preços, visto o pico atingido pela maioria nos últimos tempos. Após o IPCA atingir elevações de 6,41% em 2014, 10,67% em 2015 e 6,29% em 2016, tudo isso em meio ao impulsionamento do desemprego e desaceleração da atividade econômica, é normal que os efeitos da crise ainda batam forte no brasileiro. Em 2018, entretanto, com o início de números promissores da economia do país, há de se esperar que esses efeitos “agradáveis” cheguem a população, acalmando, quem sabe, os ânimos já acirrados em período eleitoral.







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