A relação entre a "guerra comercial" de Trump e o Brasil

      As declarações do polêmico presidente norte-americano, Donald Trump, relacionadas ao comércio exterior do país assustaram o mundo na última quinta-feira, dia 01/03. O bilionário defendeu uma possível “guerra comercial” iniciada por parte dos Estados Unidos, alegando um déficit na balança comercial do país de U$ 800 milhões. Defende que o aumento na produção de aço por parte da China tornou os preços da commoditie impraticáveis, devido ao excesso de oferta do produto no mercado internacional. Por isso, prometeu um aumento de 25% nas taxas de importação do aço pelos americanos, além de uma sobreposição de 10% nos impostos relacionados ao alumínio estrangeiro que entra no país. A medida preocupa aos chineses, que, apesar de serem apenas o 11º maior exportador de aço aos EUA, tem nos norte-americanos um grande destino para o alumínio produzido no país. Só o que sai da Ásia rumo ao gigante da América do Norte representa mais que o dobro do produzido no mercado brasileiro.

     Interessa-nos mais, entretanto, a situação do Brasil neste cenário. Como a medida pode nos influenciar, sendo nós um país em que os Estados Unidos apresentam superávit na Balança Comercial?

 

Os dados:

  •   Segundo dados da administração comercial americana, o Brasil é o segundo maior exportador de aço para os EUA, com 13% de responsabilidade no total que chega aos norte-americanos. Perde apenas para o Canadá, responsável por 16% do total, e está à frente da Coréia do Sul (10%);

  •   Dados oficiais do setor mostram que, em 2017, o Brasil faturou U$ 2,6 bilhões de dólares, ou R$ 8,3 bilhões de reais. Foram 4,7 milhões de toneladas de aço para os americanos;

  •   Cerca de 80% de nossas exportações de aço com destino aos Estados Unidos são de produtos semiacabados. Somos o principal vendedor aos norte-americanos nesta categoria;

  •   De acordo com dados do Ministério da Indústria e do Comércio Exterior (MINDC), os EUA foram, até aqui, em 2018, o segundo maior destino dos produtos exportados pelo Brasil. Representaram 11,9% (U$ 4,08 bilhões) do total, atrás apenas da China (19,99% ou U$ 6,85 bilhões);

  •   As importações brasileiras oriundas dos EUA foram, até aqui, de U$ 4,52 bilhões. Comprova, portanto, a relação de déficit na Balança Comercial Brasil-Estados Unidos: são cerca de U$ 440 milhões a mais que foram para os norte-americanos.

  •   Os minérios de ferro e seus concentrados são responsáveis pela segunda maior parcela dos produtos exportados pelo Brasil. São 8,13% (U$ 2,78 bilhões) do total. É menor apenas que os óleos brutos de petróleo (10,57% ou U$ 3,62 bilhões);

Conclusão:

     Apesar de não termos sido citados por Trump em seus discursos, e por, como já dito, não termos vantagem sobre os EUA na Balança Comercial dos dois países, os dados mostram que seríamos, sim, bastante prejudicados com a medida protecionista do presidente norte-americano. O aço está presente no segundo maior grupo das exportações do Brasil, e, com um acréscimo de 25% nos preços, muito provavelmente não seríamos mais competitivos no segundo maior destino de nossa produção.

     A Confederação Nacional das Indústrias, CNI, já se posicionou de forma incisiva contra a deliberação de Donald Trump, e pediu ao governo que use todos os meios para responder o norte-americano. A entidade defende que os exportadores brasileiros de aço teriam prejuízo de U$ 3 bilhões, enquanto as perdas com o alumínio chegariam a U$ 144 milhões.

     Nota-se, portanto, a importância do Brasil saber lidar com os passos dados por Trump. O protecionismo pode sim, e muito, prejudicar os interesses brasileiros. Resta, então, saber qual vai ser o posicionamento de quem protege nossas posições.

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