A produção industrial e a recuperação econômica brasileira

 

     Durante o biênio de 2015 e 2016 o Brasil passou pela maior recessão econômica de sua história com duas quedas seguidas no PIB, ambas de - 3,6%, entretanto, em 2017 o país apresentou sinais de recuperação, com o PIB crescendo 1% no ano, já a inflação e a taxa de juros apresentaram quedas importantes, com a primeira ficando em 2,95% aa, ou seja, abaixo do piso da meta do Banco Central que é de 3% aa. Porém o principal dado para este texto é o referente a produção industrial, que segundo o IBGE, após 3 anos de quedas voltou a crescer, tendo uma evolução de 2,5% em relação a 2016, o que significou a melhor resultado desde 2010 quando o crescimento foi de 10,2%.

 

Os dados:

  • A década de 2010 teve um início bastante animador para o Brasil, com o PIB crescendo 7,5% e a produção industrial 10,2%, os principais ramos da indústria que levaram a esse resultado positivo foram a produção de veículos automotores com 24,2% e maquinas e equipamentos com 24,3%. Porém após um início promissor, em 2011 a indústria brasileira apresentou uma variação mínima de 0,3% ao final do ano, já em 2012 foi o primeiro ano da década em que a produção retraiu, em uma taxa de -2,7%. Em 2013 a produção respondeu ao mal resultado do ano anterior, e avançou em 1,2%, sendo explicado em grande parte pelo crescimento de 2,1% no primeiro trimestre. O ano de 2014 foi uma premissa do que estava por vir na economia brasileira, com a produção retraindo em -3,2%, e queda de -9,6% nos bens de capital e -9,2% em bens de consumo duráveis, foi o início da recessão no país.

  • Considerado um dos principais motivos para a recessão de 2015-2016, a produção industrial teve quedas importantes nesse período, durante o primeiro ano do biênio a queda foi de -8,3%, e foi observada em 25 dos 26 ramos da indústria e em 78% dos 805 produtos pesquisados. As 4 grandes categorias econômicas também apresentaram retração, principalmente, em bens de capital (-25,5%) e em bens de consumo duráveis (-18,7%). Em 2016 a indústria caiu pelo terceiro ano seguido, a uma taxa de -6,6% em relação ao ano anterior, novamente foi sentida em grande parte da indústria, tendo retração de 72,8% dos 805 dos produtos pesquisado, e dentre as grandes categorias o cenário de 2015 foi repetido, com os bens de capital (-11,1%) e bens de consumo duráveis (-14,7%), sendo os que tiveram papel primordial na queda.

  • Como já mencionado antes, em 2017 a produção industrial teve um crescimento de 2,5%, o primeiro em três anos. Entretanto durante os primeiros onze meses a indústria apresentava variações mínimas tanto negativas quanto positivas, chegando a ficar estagnada em julho com uma variação de 0,0%, porém o cenário mudou em dezembro quando ela apresentou um crescimento de 2,8%, principal motivo para a evolução durante o ano. Nas grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis e bens de capital tiveram o melhor resultado, com 13,3% e 6%, se recuperando após duas grandes quedas, nas outras duas categorias a evolução foi mais tímida com 1,6% em bens intermediários e 0,9% em bens de consumo semi e não duráveis. Mesmo que pequeno esse resultado positivo da indústria em 2017 é importante para que ajude ao país a voltar a taxa de crescimento de anos anteriores.

  • O início de 2018 não é tão animador, em janeiro a indústria teve redução de -2,4% em relação a dezembro de 2017, a queda teve perfil generalizado e atingiu 3 das 4 grandes categorias, a principal queda foi em bens de consumo duráveis que retraiu -7,1%, o único resultado positivo ficou com bens de consumo semi e não duráveis com 0,5%. Entretanto o resultado é diferente quando analisamos em comparação a janeiro de 2017, por esse lado a produção industrial teve crescimento de 5,7% no primeiro mês de 2018, e a evolução foi percebida nas 4 grandes categorias. Sendo assim podemos perceber que houve uma evolução do ritmo produtivo do país em relação aos últimos anos.

Conclusão:

       O ano de 2018 é um ano chave para a economia brasileira, pois será o ano em que o país precisará provar que saiu da recessão, e a retoma da produção industrial é um ponto primordial, basta observarmos que durante 2015 e 2016 em que o PIB retraiu 7,2%, a produção industrial apresentou uma retração de 14,9%. Além disso analisando as variações trimestrais também é perceptível uma estreita relação, já que a indústria teve onze quedas seguidas e o PIB oito. Ambas as sequências, por sua vez, terminaram no primeiro trimestre de 2017. Já pelo outro lado em 2010 quando o PIB cresceu 7,5%, a indústria teve uma evolução de 10,2%. Dito isso podemos concluir pela importância do comportamento para 2018 se materializar efetivamente como o ano chave da recuperação.

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November 12, 2019

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