Realidade do mercado de trabalho além da taxa de desemprego

     

 

     Os dados divulgados referentes a taxa de desemprego durante 2017 mostram uma trajetória de queda após o pico no primeiro trimestre (quando chegou a 13,7%), finalizando o ano em 11,8%. Entretanto tal variação não parece refletir a realidade de muitas pessoas que estão na procura por emprego. Uma análise pura e simples dessa medida não é suficiente para ter um panorama preciso do mercado de trabalho, assim como da retomada da atividade econômica. Faz-se necessário a análise de outras variáveis disponibilizadas pelo IBGE (a partir da PNAD) que ajudam a explicar alguns movimentos que não são captados pela taxa de desemprego, como por exemplo a informalidade, a taxa de desalentados e a subutilização da força de trabalho.

 

Os fatos:

  • A taxa de desalentados (parte da população que desistiu de procurar emprego), chegou a 3,9% da força de trabalho, cerca de 4,3 milhões de pessoas, no último trimestre de 2017, recorde da série iniciada em 2012. No mesmo período de 2016 3,8 milhões de pessoas encontravam-se desalentadas.

  • Movimento comum em tempos de crise é o crescimento da informalidade. Em 2017, o montante de trabalhadores informais terminou o ano em 11,1 milhões de pessoas, frente a 10,5 milhões no mesmo período de 2016 e 10 milhões em 2015.  

  • A subutilização da força de trabalho, que pela definição do IBGE consiste no somatório dos subocupados por insuficiência de horas (aqueles que gostariam de trabalhar mais horas), desocupados (aqueles que gostariam de trabalhar e procuraram por emprego no período de 30 dias) e força de trabalho potencial (pessoas de 14 anos ou mais de idade que não estavam ocupadas nem desocupadas na semana de referência, mas que possuíam um potencial de se transformarem em força de trabalho), dividido pela força de trabalho ampliada (soma da força de trabalho com a força de trabalho potencial). No último trimestre de 2018, a taxa de subutilização registrou a marca de 23,6%, o menor percentual do ano, mas ainda presente em um elevado patamar. A série histórica pode ser vista no gráfico abaixo:

 

 

 

  • Segundo alguns estudiosos há uma relação direta entra a força de trabalho subutilizada e o setor informal no caso do Brasil. Kon (2004) ¹ ressalta que a parcela da mão de obra em condições de subutilização é responsável por compor a maior parte do setor informal. Analisando sobre essa ótica, espera-se que as duas variáveis tenham trajetórias similares ainda que em magnitudes diferentes. Entre 2016 e 2017 a informalidade expandiu em 5,7% enquanto a subutilização cresceu em 8,6%.

  • A lenta recuperação da atividade econômica pode ser vista em vários setores da economia. Em 2017 apenas os setores de Serviços, Comércio e a Agropecuária apresentaram criação de vagas de emprego, 36.945, 40.087 e 37.004, respectivamente. O saldo do ano para a economia como todo foi de -20.832, ou seja, ocorreram mais demissões do que contratações. 

 

             Fonte: Elaboração Própria a partir de dados do CAGED

 

O que isso significa?

     Levando em consideração os dados referentes ao saldo de vagas de trabalho em 2017, é possível perceber que a queda gradual da taxa de desemprego pode estar sendo mascarada por movimentos como aumento da informalidade e do desalento, uma vez que a população que compõem estas variáveis deixa de ser considerada no cálculo do desemprego. É necessário salientar que a melhora efetiva no mercado de trabalho ocorrerá a partir do momento em que alguns setores da economia (aqueles historicamente conhecidos por empregar mais), como Serviços, Comércio e Construção Civil, retomarem a trajetória de crescimento.

 

¹ KON, A. Diversidades nas condições de informalidade no mercado de trabalho brasileiro. In: XXXII Encontro Nacional de Economia. 2004. João Pessoa. ANPEC, 2004.

 

 

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November 12, 2019

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