Não há eleição na bolsa

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas.

     Para 2018, esperava-se um cenário brasileiro de recuperação econômica, o que de fato tem sido observado. Baixa inflação e juros baixos se alinharam e construíram um cenário de incentivo ao consumo. Mas, o que se esperar do comportamento do mercado financeiro com as próximas eleições do congresso nacional, governadores e presidente da república?

     Ao contrário do que se espera em relação à volatilidade da bolsa de valores - aqui entendida como variação do índice Ibovespa - em anos eleitorais, que sempre geram muitas expectativas e ao mesmo tempo elevada incerteza junto aos investidores com relação aos possíveis resultados do pleito eleitoral, esse indicador está ligeiramente abaixo do observado em anos não eleitorais: 1,41% de variação média ao dia contra 1,48% de anos anteriores. A mesma conclusão pode ser observada com relação ao comportamento do dólar.

     Se, por um lado, a corrida eleitoral no país parece não afetar tanto o desempenho das empresas na bolsa de valores, o mesmo não se pode dizer com relação aos choques internacionais. Em 1997 - ano da crise financeira asiática - o índice chegou a variar em média 2,35% ao dia, valor muito superior ao observado em anos eleitorais. Em 2008 - ano da crise imobiliária americana - a variação média ficou em 2,3%. O resultado pode ser explicado pelos reflexos esperados das crises na economia real (consumo, investimento, gastos do governo, comércio internacional) e pela alta participação do capital estrangeiro em nosso mercado, que só durante os primeiros 4 meses desse ano foi responsável por mais de 24% no volume total de negociações realizadas na Bovespa, segundo dados da própria Bolsa de Valores de São Paulo.

     O principal índice americano, Dow Jones, segue a mesma linha do Ibovespa. Em 2016, ano da conturbada eleição que elegeu Donald Trump como presidente, o índice teve uma variação média diária de 0,05%, a mesma observada nos últimos cinco anos. Historicamente, a cotação das ações americanas é menos volátil que a das brasileiras e, mesmo em ano de eleição, quando o país está rodeado de incertezas, o preço dos ativos mantém a consistência.

     É imprescindível ressaltar que se espera, para esse ano, muitas discussões no que tange à continuidade da reforma da previdência, ajustes fiscais e regulamentações setoriais. Por isso, apesar das bolsas manterem a calma no que tange ao pleito, há que se avaliar com cautela empresas e os setores que possam ser afetados por questões regulatórias antes de se investir. Fatores que venham a afetar as contas públicas, bem como o nível de consumo e emprego, podem afetar tanto de forma positiva quanto de forma negativa o desempenho das ações no país. Não se poderia esperar algo diferente disso num mercado que busca refletir as variações nos resultados futuros das companhias negociadas. Eleições não pagam conta, mas são capazes de viabilizar os recursos necessários para tal.

 

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