Entre EUA, China e Argentina, quem ganha é o Brasil - parte 2

 

     Atualmente, a soja é utilizada em diversos segmentos. Os alimentos à base de soja, por exemplo, substituem refeições de pessoas com restrições alimentares, alérgicas a laticínios, ou vegetarianas. Na forma de grão in natura, é utilizada como complemento nutricional na composição de rações industriais ou em farelo. Apresenta grande contribuição para o setor energético, sendo base de 85% do biodiesel produzido no Brasil (Embrapa Soja). Com um cenário interno que demonstra bons desempenhos em termos de produtividade, a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é de que o Brasil será  o maior produtor de soja do mundo, estimando que as áreas aqui plantadas da safra 2018/2019 devem ter uma expansão de quase 4%, passando de 33,90 milhões de hectares na safra 2017/2018, para 36,50 milhões de toneladas na safra 2018/2019. Tais dados colocam o Brasil em posição mais competitiva no cenário internacional, marcado pela crescente tensão comercial entre EUA e China e por forte quebra de safra na Argentina.

     O 1º levantamento da safra mundial de soja 2018/19 estima a produção de 354,5 milhões de toneladas para o período, resultando 17,8 milhões de toneladas acima do ciclo 2017/18.  O consumo mundial em 2018 deve continuar crescendo, podendo bater volume recorde de 357,7 milhões de toneladas, aumento de 4,5% em relação à safra passada. Para os estoques finais, a previsão é de um recuo de 5,9% ante o ciclo anterior, chegando a 86,7 milhões de toneladas. A alta consistente na demanda global pela oleaginosa deverá ser o principal fator de redução nos estoques mundiais. Já a expectativa para as exportações globais ficou em 161,8 milhões de toneladas, aumento de 7% em relação à safra anterior, mantendo a perspectiva de embarques recordes também em 2018/19 (USDA).

     A China anunciou a imposição de taxas de 25% sobre uma série de produtos importados dos Estados Unidos, entre eles a soja, em resposta às tarifas que Washington anunciou no mês de abril/2018 sobre as importações de aço e alumínio chineses. São denominadas guerras comerciais os conflitos gerados por imposições de tarifas comerciais de um país à importação de uma outra nação. Guerras comerciais podem gerar efeitos negativos para os dois lados, causando aumento de tarifas e custos de exportações, ou mesmo gerar um ciclo de diminuição do comércio internacional. Consequentemente, isso pode vir a estagnar o crescimento econômico global. Nesse caso, os envolvidos são as duas maiores potências mundiais e do conflito tende a afetar a economia de outros países em nível mundial, até porque as cadeias de produção e consumo estão interligadas. Um terço da produção de soja americana é vendida para a China e substituir essas toneladas dos EUA pode ser tarefa complexa. A previsão da produção do grão nos EUA é 116,5 milhões de toneladas, queda de 2,5% em relação ao ciclo anterior causada pela expectativa de redução na área plantada para a safra 2018/19. Já o consumo na China referente à mesma safra é estimado em 118,4 milhões de toneladas, com crescimento de 6,9% em relação à safra passada. O consumo nos EUA ficou relativamente estável, e deve atingir 58 milhões de toneladas (USDA).

     A Argentina passou por uma severa seca que é tida como a pior estiagem em 30 anos, que levou os produtores a colherem a pior safra desde 2009. Essa quebra de safra mudou o cenário do valor da soja, já que houve redução da oferta e aumento dos preços, e é o mercado brasileiro quem tem sido beneficiado por ambos os eventos internacionais. Para a safra 2018/2019, espera-se uma colheita na Argentina de 56 milhões de toneladas, incremento de 17 milhões de toneladas em relação a safra 2017/18 (a que foi fortemente afetada pela seca), enquanto para consumo espera-se uma demanda de 48,9 milhões de toneladas, com considerável incremento de 7,9% sobre o ciclo anterior.

     Segundo o CEPEA/ESALQ, entre janeiro e abril/2018, as exportações brasileiras de soja em grão superaram em 46,14% o volume embarcado no mesmo período do ano passado, totalizando 8,4 milhões de toneladas. Somente no mês de abril as exportações somaram um volume recorde de 11,6 milhões de toneladas, com os embarques do país sendo beneficiados pela disputa comercial entre Estados Unidos e China, a seca na Argentina e um dólar mais forte, conforme indica a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

     Com demanda crescente por soja e derivados, as transações também seguem em alta. Entre os países que devem aumentar as importações em 2018, a China é o principal, com 97 milhões de toneladas (+3,75%), seguida pela União Europeia, com 14 milhões de toneladas (+4,6%), México (+4,2%), Japão (+3,9%), Tailândia (+2,4%) e Egito (+32,4%). Com base nesses números, conclui-se que demanda mundial por soja está firme, ainda sustentada por sua efetividade na geração de farelo e óleo. A preferência de produtores em cultivar a soja em detrimento de outros grãos e cereais mantém estável a oferta da oleaginosa na safra 2017/18. Porém, ao longo dos anos, observa-se que a rentabilidade de produtores está em queda e as margens de esmagadores não se ampliam (CEPEA/ESALQ).

 

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November 12, 2019

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