Da indústria para o varejo: como andam os preços no Brasil?

 

 

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas.

     Com o intuito de medir a inflação, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mensura mensalmente o Índice de Preço ao Consumidor (IPCA) e o Índice de Preço ao Produtor (IPP). O IPCA é o reflexo do custo de vida dos brasileiros, através de uma cesta a qual contém o preço de alimentos, moradia, vestuário, saúde, educação, transporte, artigos para casa e despesas pessoais. Ele mensura qualquer variação desses itens e se o brasileiro está gastando menos ou mais para realizar essas compras básicas. Já o IPP tem como principal meta verificar a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços. Como compramos no varejo, o que os produtores venderam então os preços de venda dos produtores influenciam o que pagamos no varejo. Mas como foi a evolução dos preços ao longo de 2018? Como será a relação entre o IPP e o IPCA?

     Durante o ano, tanto o IPCA quanto o IPP permaneceram em alta na maioria dos setores da economia: no mês de março o IPCA (acumulado) era de 0,70%, enquanto o IPP cumulava alta de 1,94%; no segundo trimestre ocorre a maior disparidade, uma vez que o índice do IPCA apresenta um acumulado de 2,60%, enquanto que o IPP explode, alcançando 8,61%. A disparidade se perpetua no terceiro trimestre, com IPCA acumulado de 4,53% e IPP de 14%, porém, a partir do mês de outubro, foi possível observar uma redução nesses índices, com o IPP recuando principalmente no setor alimentício, metalúrgico e de equipamentos de transporte em -0,89%, e o IPCA, que no mês seguinte fechou com uma deflação de 0,21%.

    Com base nessa evolução anual, é possível observar que a evolução do IPCA responde às flutuações dos preços calculadas pelo IPP parcialmente, visto que a magnitude das variações dos índices não são as mesmas, mas a direção em que caminham sim. A disparidade entre os índices pode ser, em certa medida, justificada por questões de mensuração dos dois indicadores, uma vez que o IPP computa os produtos exportados, que reflete na inflação que “vai para fora”, enquanto o IPCA considera os produtos importados, que não entram no cômputo do IPP.

     Os índices têm como objetivo final servirem de base para o cálculo da inflação, assim, o desempenho da mesma nos sinaliza para a atual situação da recuperação econômica do Brasil. Embora uma inflação baixa indique estabilidade, é importante analisar que a causa desta inflação reduzida nem sempre é totalmente satisfatória. A recente deflação no IPP e IPCA indica baixa demanda por produtos e serviços na economia, consequência direta da taxa de desemprego elevada, que embora tenha apresentado uma redução de 12,3% para 11,7% do trimestre de maio/julho para o trimestre de agosto/outubro ainda está em um patamar elevado, com 12,4 milhões de desempregados. Esses fatores justificam a lenta recuperação da economia brasileira, e, portanto, indicam que a redução do desemprego deve ser prioridade nas pautas do governo.

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