Produzido originalmente para a revista online Capital Aberto

https://capitalaberto.com.br/secoes/explicando/venture-capital/

 

O que é:

       Venture capital, ou capital de risco, é uma modalidade de investimento focada em empresas de até médio porte, com alto potencial de crescimento, mas ainda muito novas e com baixo faturamento. O objetivo de tal investimento não é apenas injetar capital na empresa para ajudá-la a crescer, mas sim influenciar diretamente no andamento e gestão das empresas investidas, ajudando na criação de valor, para a futura venda (valorizada) de sua participação na empresa.

      Atualmente, esse tipo de aporte é mais comum em startups com modelo de negócio escalável. Normalmente, ocorrem rodadas de investimentos (denominadas Seed, Series A, Series B, Series C…) de acordo com a maturidade da empresa, em valor crescente. A modalidade se diferencia de investidores anjo, que investem no estágio inicial, e de investimentos de private equity, que buscam empresas maiores e com maior faturamento, com o objetivo de consolidação para venda da empresa para outro investidor ou através de um IPO (Initial Public Offering), que é a venda de parte do capital da empresa na bolsa de valores.

       No Brasil, o mercado de venture capital ainda está em fase de desenvolvimento, porém já é o maior da América Latina e cresce de maneira exponencial. Além do volume estar aumentando, o número de rodadas tem diminuído, o que mostra o começo de uma maturação do mercado, com aportes a cada rodada cada vez maiores. Junto a esses investimentos, o ecossistema de startups também tem crescido de maneira exponencial no Brasil. Hoje já existem por aqui 5 unicórnios, startups avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares: 99, Nubank, Pagseguro, Stone e Movile. Esse número tende a crescer de maneira proporcional ao volume dos investimentos providos pelo segmento de venture capital.

      Atualmente, o total de capital comprometido pelos fundos de private equity e venture capital chegam a R$ 153,2 bilhões, de acordo com os dados da ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital), com aumento médio de 28% ao ano, o que mostra que essa indústria vem apresentando um grande crescimento, mesmo com a recessão que o país passou nos últimos anos.

      A informação é relevante, uma vez que o venture capital e o private equity são um importante vetor do crescimento e consolidação de empresas, principalmente em economias mais desenvolvidas, como os EUA. Quando olhamos a evolução desse mercado por aqui em relação aos países desenvolvidos, verificamos que o investimento nesse setor ainda é baixo. Em 2015, de acordo com dados da ABVCAP, o investimento dessa indústria em relação ao PIB do Brasil foi de apenas 0,31%, contra 1,41% dos EUA e 1,95% da Inglaterra. O que mostra o grande espaço ainda existente para o crescimento dessa indústria na economia local.

     A proporção, entretanto, acompanha a dos demais segmentos do mercado financeiro. Em 2017, o Brasil terminou o ano com 344 empresas listadas na B3, contra 6.870 nos EUA. Se houvesse um maior investimento no segmento de venture capital e private equity, mais empresas teriam potencial para chegar à bolsa de valores. Consequentemente, isso também impactaria no crescimento do país.

 

 

Como investir:

     O investimento em venture capital pode ser realizado por companhias de participações, gestores, através de fundos de investimentos estruturados para esta finalidade (FIPs ou Fundos de Investimento em Participações) ou por investidores individuais que disponham de capital e amplo conhecimento para investir. Normalmente, os FIPs funcionam como um condomínio fechado, no qual não é possível que o investidor resgate as suas cotas a qualquer momento, mas sim que venda sua participação para outro investidor por meio da B3 ou para o próprio fundo. Por essa razão, o investimento nos FIPs é permitido apenas para Investidores Qualificados (que são aqueles que possuem mais de R$ 1 milhão em investimento) e Investidores Institucionais.

      Para atuar na área, é importante que o investidor tenha uma visão ampla, sendo capaz de analisar a resistência do setor às alterações nas variáveis macroeconômicas, estimar crescimento, interpretar as necessidades do mercado consumidor e, ainda, saber identificar indústrias de alto potencial, que, no atual momento do Brasil, geralmente estão relacionadas a empreendimentos voltados para a tecnologia.

       O envolvimento dos investidores na gestão do negócio pode variar bastante de acordo com o perfil da empresa alvo, sendo o setor de atuação, o porte da empresa e o seu estágio de desenvolvimento pontos especialmente relevantes.

        Para o investidor interessado no segmento, é importante saber que os FIPs podem ser regulamentados ou não. No segmento regulado, a Comissão de Valores Mobiliários é responsável tanto pela regulamentação quanto pela fiscalização desses fundos, bem como dos seus administradores; sendo assim, a parte legal do investimento também é de suma importância para seu sucesso.

 

 

As vantagens de receber este tipo de investimento:

     Além de um poderoso auxílio financeiro que qualquer empresa necessita para crescer, esta modalidade de investimento propicia inúmeras outras vantagens:

  Suporte na gestão: os investidores que direcionam seu capital aos FIPs, geralmente, possuem amplo conhecimento no setor de empreendimentos e podem desempenhar cargos de coordenação e gestão na empresa.

  Parceria de longo prazo: o venture capital é um investimento de longo prazo realizado por pessoas com certa experiência e que, portanto, entendem que o êxito não vem de uma hora para outra.

  Conselho fiscal e administrativo: em se tratando de um fundo de investimento, pode haver a exigência da criação de um conselho para apoiar a empresa em suas decisões fiscais e administrativas, além de facilitar processos burocráticos.

  Evolução rápida: com o apoio recebido por meio do venture capital, é natural que a empresa tenha mais chances de se inserir no mercado de forma sólida.

 

 

Principais investimentos em Venture Capital:

       O mercado de venture capital já conta com um número considerável de investidores por aqui. As principais são instituições públicas, como Finep e CAF, criadas no intuito de prover crédito para o desenvolvimento de negócios promissores.

     Com relação às instituições privadas, há importantes gestores de venture capital operando. Um dos maiores destaque do mercado vai para a Monashees, já conhecida no mercado como caçadora de unicórnios, um dos pilares centrais para investimentos de empresas expoentes e líderes em seus segmentos, como Nubank e Rappi.

     Para Nicolás Szekasy, cofundador e sócio da Kaszek Ventures, responsável por financiar dezenas de startups com levantamentos de fundos milionários ao longo de 8 anos, a tendência nesse mercado é de maior abertura e incentivos para empresas com alto potencial tecnológico, inicialmente focadas na América Latina. Tal tendência se deve a uma vantagem competitiva crítica na região, demonstrada pela criação de fintechs, apps de venda e compra geral, entregas de comida, entre outras inovações. Afinal, é uma boa notícia saber que não apenas de 'jabuticabas' vive nosso mercado.

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November 12, 2019

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