O que se esperar do setor empregatício para 2019?

     A taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,7% de janeiro até março deste ano, atingindo 13,4 milhões de pessoas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior taxa de desemprego desde o trimestre terminado em maio de 2018, o que reforça a perda de dinamismo e uma menor recuperação da economia neste começo do ano. Segundo o IBGE, a alta do desemprego no 1º trimestre representa a entrada de 1,2 milhão de pessoas na população desocupada na comparação com o trimestre encerrado em dezembro. Dessa forma, o número de pessoas que procuram vagas de emprego aumentou de 12 milhões para 13,4 milhões em relação ao mesmo período do ano passado.

     A busca por vagas se concentra no setor de comércio e serviços, visto que o setor terciário concentra mais de 70% de empregos no Brasil. Contudo, um setor que necessita de mão-de-obra qualificada e que ainda perece de trabalhadores é o setor de tecnologia. A consultoria americana IDC estima que existem 250 mil posições em aberto para profissionais de tecnologia no Brasil e que este número de vagas disponíveis deve triplicar até 2020. Contudo, o elevado índice empregatício nesse setor pode ser explicado pela necessidade de trabalhadores cada vez mais aptos à rápida aceleração tecnológica, já que uma tecnologia em alta, atualmente, pode ser considerada defasada cinco anos depois, demandando novos especialistas nesse meio empregatício.

     Nesse cenário, tem-se o aumento do trabalho informal que, apesar de gerar renda reduz a produtividade, acarretando na lenta recuperação do país. Essa regeneração moderada da economia resulta em partes do rendimento médio de um trabalhador sem carteira assinada, que é cerca de 40% menor que o de um registrado, segundo o IBGE. Além de ser um reflexo da crise econômica vigente no país entre os anos de 2014 e 2017, a informalidade deve-se também à existência de fatores estruturais que limitam o crescimento das empresas formais, como a complexidade da carga tributária e a dificuldade na concessão de crédito.

     Ainda de acordo com o IBGE, a taxa de subutilização da força de trabalho (desocupados, subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial) foi recorde no primeiro trimestre de 2019, chegando a 25%, e atingiu 28,3 milhões de pessoas, a maioria delas no Piauí (41,6%), Maranhão (41,1%) e Bahia (40,4%). Dentre esses milhões de trabalhadores subutilizados, há um grande contingente de profissionais qualificados, com formação e experiência, mas que não conseguem se recolocar no mercado de trabalho da forma como poderiam ou gostariam devido à falta de oportunidades e, na maioria das vezes, acabam migrando para áreas distintas das que exercem visando a garantia de emprego.

     O avanço da desocupação, do desalento e do subemprego no país é uma realidade que se arrasta há alguns anos e sem perspectiva de mudança no curto prazo. Nesse contexto, a expectativa para o mercado de trabalho brasileiro permanece de instabilidade para os próximos meses de 2019.

 

 

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November 12, 2019

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