Como os setores reagem a “expectativas”

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas.

     Embora a importância das “expectativas” e da “confiança” possa parecer algo abstrato nas análises econômicas, essas variáveis são fundamentais para o desenvolvimento econômico de um país. O fato é que esses dois conceitos estão ligados a questões macroeconômicas fundamentais, ao afetar importantes variáveis, como nível de consumo e investimento e, dessa forma, afetar de forma particular – via ligações intra e intersetoriais –  todas as atividades econômicas de um país. 

     Tomando um exemplo setorial, podemos citar a expectativa do aumento de preço do diesel, que vigorou no Brasil entre os períodos de julho de 2017 a maio de 2018, alcançando o ponto crítico durante a Greve dos Caminhoneiros. Tal acontecimento desencadeou como resposta no setor de transportes o reajuste do frete e a elevação de tarifas dos transportes rodoviários, fazendo com que indiretamente houvesse o aumento nos preços de bens e serviços oferecidos nacionalmente.

     A esfera da construção civil também pode fornecer uma boa ilustração de como um setor pode ser afetado pelas expectativas e pela confiança. O Índice de Confiança da Construção da Fundação Getúlio Vargas (ICST-FGV), até pelo menos o mês de maio deste ano, ainda não registrou crescimento no ano de 2019 na comparação mensal, isto é, desde o início do novo governo, o “empresário construtor” na média não se demonstrou mais otimista quanto aos seus negócios. A construção civil é um setor relevante na economia e, quando se encontra aquecido, não somente influencia na geração de empregos, mas também puxa diversos setores ligados ao fornecimento de materiais e até o setor financeiro. Portanto, um empresário que está pouco confiante sobre as expectativas relacionadas ao retorno de uma obra, por questões relacionadas à demanda por imóveis, não irá realizar investimentos, afetando emprego e renda. 

     Expectativas pouco favoráveis geram falta de confiança que, nesses dois casos mostrados, gera impactos concretos sobre a Economia, seja na forma de um aumento de preços dos fretes, seja no adiamento de um investimento na construção civil. Como os setores são encadeados, o efeito de ambas as variáveis também afeta outros setores, bem como as famílias que com eles se relacionam. O resultado agregado dessas relações estará refletido na estimativa do PIB, o medidor do ‘produto’ total. Do abstrato para o concreto, expectativas e confiança são de fato a base de uma economia de mercado.

 

 

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