A (ainda enorme) importância das commodities para a economia mineira

October 29, 2019

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas.

     De acordo com os dados disponibilizados pelo Ministério da Economia, a balança comercial mineira apresentou superávit de US$ 11,974 bilhões de janeiro a setembro deste ano, o que representa uma alta de 11% frente ao mesmo período de 2018. Tal crescimento é decorrente, principalmente, das exportações de minério de ferro e café, que totalizaram US$ 8,43 bilhões, ou 71% de todo o superávit. Nesse contexto, percebe-se a dependência do estado com relação às atividades de menor valor agregado, comumente denominadas commodities.

      Uma das principais atividades econômicas do estado (extração de ferro), respondeu por US$ 5,931 bilhões do total de US$ 18,551 exportados no período, o que representa cerca de 32% das exportações do estado. Este resultado, relativo aos primeiros 8 meses do ano, mostra um crescimento de 22,93% em relação ao ano passado. Porém, o volume exportado caiu cerca de 9,1% na comparação com o mesmo período de 2018. Portanto, o crescimento da receita com essa atividade deve-se principalmente à alta do preço mundial do minério de ferro no último ano. Esse movimento de elevação do preço pode ser explicado, em parte, pelo aquecimento da demanda chinesa para a produção de aço.

     Outro produto que se destacou entre as exportações foi o café, que representou 13,51% do total de exportações de Minas Gerais. A receita acumulada de janeiro a agosto deste ano soma US$ 2,247 bilhões, alta de 28,54% frente ao mesmo período do ano passado. Já em volume de exportações, o café apresentou uma alta de 55% na comercialização com o mercado externo. É importante frisar que as expectativas para a produção de café no ano que vem são baixas e por isso muitas cooperativas, como a Minasul, já vendeu cerca de 10% de sua produção prevista para 2020 com a alta dos preços futuros da commodity.

      Do exposto, pode-se ver que, mesmo com polos do setor de tecnologia crescendo no estado, principalmente em Belo Horizonte, cidade que abriga mais de 300 startups somente na região do San Pedro Valley (analogia ao Vale do Silício), a agricultura e o setor de extração ainda são muito importantes para a renda do estado. Minas Gerais há muito tempo mostra a dependência de sua economia e de sua balança comercial às exportações de algumas commodities, como as supracitadas. Sobre esse assunto, é importante destacar as mazelas dessa dependência. Segundo a FIEMG, o impacto da paralisação de parte da atividade minerária, devido ao rompimento de barragens como os ocorridos recentemente, tem como estimativa o fechamento de 851 mil postos de trabalho em um horizonte de seis a oito meses no estado. É o preço que se paga pela não diversificação. 

 

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