Sem educação, não há solução

December 31, 2019

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas.

     A educação é um dos direitos naturais do ser humano, sendo resguardado pela Constituição, que no Brasil garante o acesso a todos os brasileiros, desde o ensino primário até o superior. Apesar de tal garantia, não há vagas em escolas públicas para todos e a qualidade da educação oferecida nesse segmento é inferior à observada nos ensinos particulares e de outros países. No mês de dezembro de 2019, foram divulgados os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), em que o Brasil apresenta resultados alarmantes com relação aos outros países, alcançando o posto de 70° entre 80 países examinados.

     Na Zona da Mata, de acordo com o Censo Escolar de 2014, o número de alunos matriculados em escolas públicas diminuiu em 28,7% entre 2007 a 2015 (redução de 84 mil estudantes matriculados), fato ocorrido principalmente pela baixa taxa de reprovação dos estudantes e pelo abandono dos estudos, sendo maior a diminuição no setor de escolas federais, que apresentou redução de 44,2% no número de alunos matriculados. Em termos espaciais, os municípios de Juiz de Fora, Muriaé, Ubá e Manhuaçu congregam 35,2% de todos os estudantes de ensino médio da Zona da Mata, 34,8% de todos os estudantes do Fundamental 2 (segunda etapa do ensino fundamental oferecido na parte da manhã) e 37,3% dos estudantes do Fundamental 1, o que evidencia certa concentração na Zona da Mata do investimento em educação nesses quatro municípios.

      Analisando os dados para o ensino superior, a concentração é ainda maior: 55% dos estudantes da Zona da Mata estão no município de Juiz de Fora, 20% em Viçosa e outros 25% espalhados em Muriaé, Ubá, Manhuaçu, entre outros. Dentre os cursos que apresentaram crescimento no número de matriculados estão os de Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, Arquitetura, Direito e Psicologia. Entre aqueles que diminuíram seu número de matriculados estão os de Licenciatura de Educação Física, de Letras, o de Enfermagem, Gestão Ambiental, Serviço Social e História entre os anos de 2009 a 2014.

     De acordo com a pesquisa, todo ano ocorre o ingresso de 19,55 mil estudantes no ensino superior, havendo a conclusão de curso de apenas 9,06 mil estudantes/ano, gerando um aumento constante no nível de matriculados nas instituições. Entre todos aqueles que estavam matriculados no ensino superior em 2014, 23% estavam na Universidade Federal de Juiz de Fora, 15% na Universidade Federal de Viçosa, 6,4% na Faculdade Estácio de Sá em Juiz de Fora e 5,9% na Faculdade Salgado de Oliveira.

    De modo geral, o ensino na Zona da Mata se caracteriza como público, eficaz na captação de novos estudantes, tanto no ensino básico quanto no ensino superior, porém, devido aos últimos dados disponibilizados pelo INEP, o PISA não apresenta resultados satisfatórios, compreendendo-se que a qualidade do ensino nacional não esteja nos mesmos níveis do que o de outros países pelo mundo. Em se tratando de instituições públicas, os governantes e representantes da população deveriam demonstrar inquietação com relação a tais índices e propor reformas que vissem melhorar o rendimento intelectual dos alunos e, futuramente, seu acesso ao mercado de trabalho – emprego e renda para o País. 

 

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