VALE: um mal necessário?

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas.

No início de 2019, mais precisamente no dia 25 de janeiro, o Brasil assistiu a um dos maiores desastres de rejeitos de mineração do país. A barragem controlada pela Vale S.A., cuja designação oficial era Mina do Feijão, que estava avaliada como “alto potencial de dano”, porém, “baixo risco” no quesito probabilidade de rompimento, se rompeu. Com isso, 259 pessoas morreram e centenas de famílias ficaram desabrigadas. No dia do acidente, as ações da Vale chegaram a se desvalorizar mais de 20%, dando início a uma expectativa ruim para o setor de mineração em 2019.

 

Entretanto, dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração, dão conta de que a receita do setor passou de R$110,2 bilhões em 2018 para R$153,4 bilhões em 2019, representando uma alta de 39,2%. Se for analisada apenas a produção de minério de ferro, que é uma das atividades mais importantes para Minas Gerais e para o setor em geral, houve uma redução de 8,8% no total. Como a maior parte do destino deste minério é a exportação, o volume da mesma caiu em cerca de 50 milhões de toneladas. Porém, a receita de exportações deste minério aumentou em US$2,5 bilhões no ano passado.

 

A explicação para a melhora da receita do setor deve-se primeiramente à redução na oferta do minério de ferro que, consequentemente, elevou o preço da tonelada a mais de US$100. O preço médio da tonelada em 2018 foi de US$63 e em 2019 foi de US$93. Além disso, a variação cambial foi um fator determinante para o crescimento na receita em reais do setor, já que o dólar teve uma forte alta no ano passado.

 

Por fim, vale lembrar que o saldo da balança comercial (exportações menos importações) do setor de minério em Minas Gerais representa 63,4% do saldo total do estado. Além disso, o setor gera elevada receita de tributos e emprega mais de 600.000 pessoas na cadeia produtiva em todo o estado segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Portanto, esta atividade econômica, apesar de gerar uma grande externalidade negativa em termos sociais e ambientais, continua sendo de suma importância para a economia mineira. É cuidar para manter. 

 

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