O piso histórico da Selic

A taxa Selic foi definida em 3,0% ao ano no dia 6 de maio, por decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), o que representou uma redução de 0,75 ponto percentual em relação ao seu valor anterior. A taxa é utilizada como referência para os juros de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Assim, caso o governo queira restringir o acesso ao crédito, tornando mais cara a tomada de empréstimos e de juros do cheque especial, há um aumento da Selic.

 

Em contrapartida, a redução da Selic tem o efeito oposto na economia, configurando-se como uma política de incentivo ao consumo e realização de investimentos. Isso ocorre, sobretudo, quando o país vivencia uma queda na sua taxa de inflação e convive com um nível de desemprego elevado – cenário visto atualmente na economia brasileira.

 

A taxa Selic vem passando por um longo ciclo de cortes desde outubro de 2016. Segundo projeções da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e Capitais (ANBIMA), de 5 de maio, esse ciclo ainda não chegou ao fim. As expectativas apontam que o Copom deverá reduzir a taxa de juros brasileira a 2,5% ao ano, antes mesmo do fim do ano. Enquanto isso, as metas para a inflação, segundo as projeções do Banco Central do Brasil em 15 de maio de 2020, são de 1,59% para o ano de 2020 e de 3,20% para 2021.

 

Esse movimento é explicado pela desaceleração significativa da economia global causada pelos efeitos da pandemia da COVID-19, o que acarretou na necessidade de estímulos fiscais e monetários gerados, a situação continua sendo desafiadora sobretudo para países emergentes, que vêm experimentando uma maciça fuga de capitais provenientes de investimentos externos.

 

Já a Taxa de Inflação se encontra abaixo da estipulada: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril fechou em -0,31%. Tal resultado pode ser explicado pela redução do consumo e aumento do desemprego, que atingiu 12,2% da população economicamente ativa no 1º trimestre de 2020, subindo 1,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, segundo dados do IBGE. Vale ressaltar que esses dados ainda não refletem com precisão os impactos da pandemia no Brasil, visto que o primeiro trimestre terminou em março deste ano, quando entraram em vigor as medidas de isolamento social necessárias à contenção do número de infectados.

 

Por conta desses diversos fatores é esperado para o próximo encontro uma nova redução da Selic, não maior que a atual, para tornar o crédito mais barato e tentar reaquecer a economia, renovando o piso histórico do indicador sem chances de uma disparada da inflação.

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