Deflação no Brasil?

 

Ao contrário do que muitos brasileiros estão acostumados por conta do passado inflacionário do país, a deflação significa a queda generalizada dos preços de bens e serviços, o que apesar de soar como uma boa notícia, também pode representar um sintoma de grandes problemas econômicos. Com base nisso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), responsável pelo monitoramento da inflação, apresentou no último mês de maio a menor variação desde o início do Plano Real: -0,59%, enquanto seu resultado em abril foi de -0,01%, segundo dados divulgados pelo IBGE no último dia 26. Tal comportamento está de acordo com as projeções do Ministério da Economia, que apontam uma queda na inflação acumulada para o ano de 2020 - inicialmente prevista em 3,05% - para 1,77%.

 

O IPCA configura-se em uma cesta baseada em: transporte (20,33%), alimentação e bebidas (19,56%), habitação (15,55%), artigos de residência (3,69%), saúde e cuidados pessoais (13,54%), despesas pessoais (10,72%), comunicação (5,71%), educação (6,39%) e vestuário (4,51%), segundo dados do IBGE de abril de 2020. O índice é uma aproximação dos hábitos de consumo da maioria da população brasileira, visando agregar o maior número de famílias. A redução do IPCA-15 esteve associada, principalmente, à queda nos preços dos bens duráveis, serviços livres e serviços administrados, diante do resultado direto da pandemia de COVID-19 na atividade econômica. Dentre os itens acompanhados pelo índice é possível destacar a queda expressiva nos transportes durante o mês de maio, puxada pelos preços de combustíveis como a gasolina (-8,51%), etanol (-10,4%), óleo diesel (-5,50%) e o gás veicular (-1,21%), bem como pelo preço das passagens aéreas (-27,08%). 

 

Os dados de abril demonstram a participação do setor de Alimentação e bebidas com o crescimento de 1,79%, sendo o produto que mais cresceu durante essa quarentena. Enquanto isso, produtos importantes, mas que ficaram impossibilitados de funcionar em sua totalidade, como os transportes, obtiveram resultados de -2,66%, decrescendo e sendo um fator, com grande peso, para a inflação negativa no mês de abril. Já no mês de maio, os grupos de alimentação e bebidas e artigos de domicílio, que apresentaram respectivamente, aumentos de 0,46% e 0,45%, contribuíram para impedir uma queda ainda maior no índice. 

 

É preciso ressaltar a importância de conter as causas da deflação, visto que a mesma acarreta grande prejuízo para a economia. Dependendo da intensidade do fenômeno, as condições de mercado poderiam obrigar empresas a vender produtos abaixo dos seus preços de aquisição, por exemplo. Por isso o Banco Central trabalha para manter uma inflação baixa, porém acima de zero, a fim de que os preços não declinem e isso possa acarretar na depressão da atividade econômica.

 

De qualquer modo as projeções para o fechamento da inflação, seja para 2020 ou para o ano que vem, ainda são positivas. As projeções coletadas pelo Banco Central indicam uma taxa de inflação de 1,57% para 2020, e de 3,14% para o final de 2021.

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