Há alento para o Brasil nessa pandemia?

 

Já é unanimidade que a crise sanitária pela qual o mundo passa irá proporcionar desafios para a economia de cada país. O Brasil não foge à regra, existindo projeções de queda no PIB de 5,5% em 2020. Entretanto, o saldo da balança comercial brasileira apresentou resultados positivos para o mês de abril, com um superávit de US$ 6,7 bilhões de dólares, um bilhão acima do quarto mês do ano passado.

 

Os volumes de importação e de exportação caíram em abril deste ano em comparação ao mesmo mês de 2019. Porém, a queda das importações foi significativamente maior, (-14,8%) em relação a (-5,0%) das exportações. A decaída das importações pode ser explicada pela alteração econômica que o cenário doméstico sofre, somada à desvalorização da moeda nacional. Por outro lado, o volume exportado de commodities, produtos com baixo valor agregado, aumentou, freando a queda da exportação. As commodities  representaram 67% do total exportado no primeiro quadrimestre de 2020, sendo o maior percentual da série histórica desde 1995.

 

Focalizando a análise no comportamento observado das exportações, a grande importância que a China possui para nossa dinâmica econômica justifica o cenário visto em abril: nesse mês, o volume de exportação para o país mais populoso do mundo cresceu 30,9% em relação ao mesmo mês em 2019, enquanto que para o restante da Ásia houve um aumento de 28,2%. Os chineses foram responsáveis por 31% das exportações e 21% das importações brasileiras no primeiro quadrimestre deste ano.

 

Intimamente ligado à pauta do setor externo, quanto à taxa de câmbio, a moeda brasileira sofreu desvalorização de 27,7% entre o início de março e o dia 18 de maio, situação explicada pela saída de capital dos países emergentes, queda no preço das commodities e fortalecimento do dólar frente a outras moedas, ativo atrativo em períodos de crise.

 

Por fim, mas ainda na perspectiva do comércio entre nações, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta uma contração do comércio global de 12% para este ano. Desse modo, quanto à inserção do Brasil nesse contexto, o país apresentará choques em seus setores econômicos, contribuindo para a redução do consumo privado assim como dos investimentos. Por outro lado, enquanto o volume exportado de não commodities brasileiras caiu 30% entre abril de 2019 e o quarto mês deste ano, as commodities tiveram um aumento de 17% em volume de exportação no mesmo período. Esse resultado se deve especialmente às exportações de soja, algodão bruto e café para o mercado chinês, comprovando uma elevação de vendas de bens ao exterior em meio a um período de contração econômica mundial. Assim, diante de tanta incerteza e preocupação, a balança comercial serve de alento para a economia nacional.

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