A escalada do desemprego

 

A pandemia do novo coronavírus, que ainda se alastra pelo Brasil e faz vítimas a cada dia, também atinge profundamente o mercado de trabalho. Os dados para o mês de abril mostram que a taxa de desemprego segue subindo e essa escalada não deve ser interrompida pelos próximos meses. 

 

A força de trabalho no Brasil é composta pelos indivíduos que estão empregados e também pelos que estão desempregados. O indivíduo desempregado, por sua vez, é aquele que procurou uma vaga de emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa feita pelo IBGE, mas não encontrou. Já o desalentado corresponde ao indivíduo que não possui emprego e que nem chegou a buscar ou que desistiu de procurar uma vaga de trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa, porque não achou que conseguiria. Portanto, grupos como os desalentados não entram para as estatísticas de emprego no Brasil. 

 

De acordo com os dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia 28 de maio, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 12,6% no trimestre encerrado em abril, atingindo 12,8 milhões de pessoas e houve o fechamento de quase 5 milhões de postos de trabalho em relação ao trimestre anterior. Em igual período em 2019, a taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua estava em 12,5%.

 

Os dados divulgados pelo IBGE também confirmam uma queda recorde da população ocupada, de 94,1 milhões para 89,2 milhões de brasileiros em três meses. O número de desalentados saltou para 5 milhões de brasileiros, tendo um aumento de 7% em três meses (mais 328 mil pessoas), sendo este o maior valor da série histórica. Dessa forma, como a taxa de desemprego é calculada dividindo-se o número de desempregados pela soma de pessoas ocupadas e desocupadas (total de participação no mercado de trabalho em relação à população economicamente ativa), a taxa de desocupação não subiu tanto, pois justamente houve elevação do número de pessoas desalentadas, que não entram no cômputo da força de trabalho.

 

O período dos meses de março e abril foi marcado exatamente pela elevação do número de desalentados. Alguns dados divulgados pelo Ministério da Economia no final de maio revelam que a economia brasileira perdeu 1,1 milhão de vagas de trabalho com carteira assinada durante o período respectivo. Somente em abril foram fechados 860,5 mil postos de emprego formal, valor este que consiste no pior resultado para um único mês em 29 anos, segundo dados do CAGED.

 

A situação que o Brasil atravessa no momento, com muitas dispensas, desistências de procurar vagas de trabalho por parte das pessoas desocupadas, e ainda alastramento da pandemia do novo coronavírus, indica que o país irá passar por períodos de aumento da taxa de desemprego. Para o mês de maio, espera-se uma taxa de desocupação superior aos 13%. Muito esforço terá de ser realizado para modificar esse cenário desolador.


 

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