Abril: o pior já passou?

Os dois primeiros meses de 2020 foram marcados por um crescimento econômico lento e sinalizavam que a economia estaria “caminhando” a passos curtos. As projeções na época carregavam certo otimismo quanto ao aquecimento da atividade econômica no país até que, na segunda metade de março, as medidas de combate ao coronavírus começaram a ser implementadas em maior escala, alterando de forma acentuada a dinâmica da economia no Brasil. Consequentemente, o resultado foi um mês de abril com estatísticas que indicam que esse será o pior mês de todo o ano.

 

Com o primeiro trimestre registrando uma diminuição de 1,8% no produto interno bruto (PIB), a atividade industrial sentiu fortemente os efeitos da decaída na atividade econômica: em abril, na comparação com o mesmo mês em 2019, houve uma queda de 27,2% na produção industrial. Entretanto, apesar de um desempenho fraco geral, certos mercados apresentaram resultados positivos, a exemplo da produção de alimentos, que cresceu 3,3%, e de artigos farmacêuticos, com aumento de 6,6%. Por sua vez, a fabricação de veículos foi a grande afetada, recuando 88,5%.

 

Ainda na perspectiva do tamanho da crise nos setores econômicos, o grande afetado foi o setor terciário: o comércio ampliado caiu 13,9% em março ante fevereiro, enquanto os serviços diminuíram 6,9% no mesmo período. Quanto aos segmentos dos serviços, houve uma variação de -31,2% nas vendas, sendo que nenhum segmento apresentou uma elevação nas receitas. Por outro lado, na parte do comércio, existiu um aumento de 14,6% nas vendas de alimentos comercializados em supermercados, situação que, ao lado do mercado de artigos farmacêuticos, foram os únicos com desempenho positivo.

 

Diferentemente dos cenários anteriores, a produção agropecuária não foi tão afetada pela crise, já que apresentou um aumento de 3,3% no volume produzido, na comparação do mês de abril com março. Assim, deve haver crescimento nesse ramo no segundo semestre de 2020, fechando o ano, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com alta na produção, puxada principalmente pelo abate de bovinos, produção de açúcar e de farinha de trigo.

 

Diante deste contexto, as instituições de pesquisa econômica no país ainda estão incertas quanto ao tamanho da recessão que viveremos no primeiro semestre deste ano. Já há convicção de que a atividade econômica sofrerá uma contração nesse período, com aumento de desemprego e redução da renda. Em relação aos respectivos trimestres de 2019, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) espera uma redução de 7,2% do PIB no terceiro trimestre desse ano e de 4,2% no quarto trimestre. Apesar dessa queda, a atividade econômica volta a crescer em 2021, com crescimento do produto interno bruto previsto para 3,6%, Portanto, caso a economia não sofra novos choques, o pior já passou.

 

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