IPCA negativo: teremos deflação?

 

Desde o início da crise do coronavírus, o Brasil vem, mensalmente, apresentando deflação, como pode ser visto pelos resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os meses de abril (-0,31%) e de maio (-0,38%). A deflação é definida como a queda dos preços de bens e serviços em uma economia e merece especial atenção por parte das autoridades monetárias, visto que a mesma é capaz de medir o impacto da redução na atividade econômica ao evidenciar a relação entre os níveis de produção e consumo. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) prevê uma redução de 10,5% no PIB para o segundo trimestre de 2020, enquanto o IPCA poderá apresentar um valor de -0,57% para o mesmo período, segundo dados do IBGE e previsões do Banco Central.

 

Os principais fatores que influenciaram para que o IPCA tivesse resultado negativo no mês de maio foram a queda nos preços dos grupos de transportes (-1,90%), influenciado pelos preços dos combustíveis e de vestuário (-0,58), que variaram negativamente, bem como o resultado do grupo de alimentação e bebidas (0,24%). Já os grupos que contribuíram para que o IPCA não caísse tanto foram os grupos de artigos de residências, indo de -1,37% para 0,58%, e de comunicação, variando de -0,20% para 0,24%, se comparados os meses de abril e maio.

 

As expectativas por parte do Banco Central (BC) já se modificaram diversas vezes ao longo do ano, de acordo com as avaliações sobre os impactos da pandemia no cenário econômico brasileiro. Um exemplo disso foi o mesmo relatório do BC, referente ao mês de janeiro, que apontava uma expectativa de que o IPCA fechasse o ano em 3,6%, agora projeta que o índice responsável por medir o comportamento da inflação termine em 1,53% no ano, ficando abaixo do centro da meta, que atualmente é de 4%. 

 

Após o conhecimento da força da pandemia, a economia global retraiu, impactando profundamente no cenário econômico brasileiro. Apesar de não haver espaço para a emissão de moeda, conforme o posicionamento de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, o mercado projeta novos estímulos monetários para reverter o baixo desempenho econômico gerado pela crise.

 

O auxílio emergencial destinado às pessoas físicas por conta da crise do coronavírus (também conhecido como coronavoucher) foi responsável por gerar estímulos capazes de atuar diretamente no comportamento de consumo da população, como pode ser observado pelos resultados do IPCA para os meses de abril e maio. Como o auxílio garante renda às pessoas que não podem trabalhar em razão da pandemia, há uma tendência por parte das mesmas em priorizar a compra de itens essenciais como alimentos, gastos em comunicação e artigos do lar: o aumento na procura desses itens explica a variação positiva em seus preços em detrimento do resto da economia.

 

Embora os resultados atuais mostrem uma economia desaquecida, a esperança é de que este cenário mude quando ocorrer a desaceleração do número de infectados pelo novo coronavírus, assim como ocorreu nos países que deixaram de ser o epicentro da pandemia e reduziram as medidas restritivas colocadas aos cidadãos. Assim, é esperado que não ocorra deflação ao se considerar o acumulado do ano. 

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