A Selic mergulha novamente

 

A taxa Selic foi reduzida para 2,25% a.a. por decisão unânime em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 17 de junho. Somente neste ano, a taxa Selic, que é utilizada como referência para os juros de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras, está em sua quarta queda: a mesma iniciou o ano em 4,5% e caiu para 4,25%, 3,75%, 3%, até chegar aos atuais 2,25%, retraindo 0,75 ponto percentual com relação à taxa anterior e confluindo com as Expectativas de Mercado do relatório do Banco Central (BC) em 12 de junho.

 

Por meio dessa redução, o objetivo é incentivar o consumo e a realização de investimentos, tendo em vista que ocorre a diminuição dos juros dos créditos adquiridos pelas pessoas. Isso ocorre, sobretudo, quando o país vivencia uma queda na sua taxa de inflação e convive com um nível de desemprego elevado – cenário visto atualmente na economia brasileira. Em contrapartida, quando o governo deseja restringir o acesso ao crédito, há o aumento da Selic, tornando mais dispendiosa a tomada de empréstimos e de juros do cheque especial.

 

O fato é que a Covid-19 continua provocando uma grande desaceleração da economia mundial, gerando um cenário desafiador especialmente para países emergentes, como o caso do Brasil. Os dados mostram que o PIB do primeiro trimestre de 2020 teve sua maior queda desde o ano de 2015 e as previsões mostram uma retração ainda mais dramática para a atividade econômica no segundo trimestre, a qual deverá encerrar 2020 com uma redução de 6,5%. 

 

Enquanto isso, a inflação vem apresentando um comportamento abaixo da meta estipulada para o ano: o objetivo central da mesma havia sido inicialmente fixado em 4,0%, podendo variar 1,5% acima ou abaixo deste valor, ou seja, entre 5,5% e 2,5%. As previsões apontam, no entanto, que o indicador poderá atingir apenas 1,6% ao final do ano de 2020, resultado menor que o limite inferior da meta proposta. Tais fatores abriram espaço para a adoção de uma política monetária de estímulo ao consumo, levando a Selic ao seu novo mínimo histórico, o que poderia facilitar o crédito. 

 

Especialistas afirmam, no entanto, que a trajetória de redução da taxa de juros brasileira está próxima do seu fim, tendo em vista o crescente endividamento do governo, o qual deverá atingir 96,1% do PIB ao final do ano, ou seja, mais de R$ 6,6 trilhões de reais. Isso irá gerar uma necessidade de grandes reajustes fiscais para o ano de 2021, enquanto o auxílio prestado às empresas e pessoas físicas por conta da crise poderá gerar um resultado acima do esperado. 

 

O Comitê considera a magnitude do estímulo monetário compatível com os impactos econômicos resultantes da Covid-19, prevendo avaliar nas próximas reuniões, que ocorrem a cada 45 dias, os desdobramentos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda. O próprio Copom reconhece que o espaço remanescente para a utilização da política monetária é incerto e deve ser residual. Em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir os próximos passos.

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