Setor externo: estamos protegidos?

 

À medida que o Brasil se distancia do cenário econômico anterior ao mês de março, as estatísticas permitem mensurar com maior exatidão o tamanho da recessão ocorrida no primeiro semestre deste ano. É fato que a economia brasileira sofrerá com a contração de 13% no comércio mundial em 2020, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, tendo reflexo no saldo do nosso balanço de pagamentos. No entanto, a constante atualização dos dados referentes tanto ao cenário interno, quanto ao cenário internacional, exige análises atualizadas para o setor externo brasileiro.

 

A balança comercial brasileira se comportou de uma maneira específica durante a pandemia: enquanto o preço das nossas commodities caiu menos que a média global, os produtos importados sofreram com forte queda nos preços, levando a um saldo comercial positivo. Neste segundo trimestre, a elevação da demanda pelos produtos de baixo valor agregado pode ser explicada pelo aumento dos gastos com infraestrutura na China, país que deve apresentar crescimento do PIB de 1,4% em 2020 mesmo em meio à pandemia. Assim, a procura por commodities, como minério de ferro, importante na pauta exportadora brasileira, e commodities metálicas, sustentam a previsão de que o Brasil irá fechar o ano com exportações no valor de US$ 194 bilhões e um saldo na balança comercial de US$ 43 bilhões.

 

Junto à fabricação de alimentos, celulose e papel, a indústria extrativa foi uma das poucas atividades sem um recuo na produção, em comparação ao segundo trimestre de 2019. Em contrapartida, os últimos meses foram históricos quanto ao desaquecimento de outros setores econômicos, a exemplo da indústria de transformação caindo 31,3% e as vendas no comércio varejista contraindo 27,1%. Espera-se uma redução do PIB de 9,8% para este segundo trimestre.

 

Ainda sobre o considerável resultado da balança comercial neste primeiro semestre, a taxa de câmbio deve frear este comportamento em 2021: a provável apreciação deve reduzir as exportações e estimular as importações. Por enquanto, o que deve guiar a oscilação do valor do real são as condições do cenário externo. A apreciação observada em maio e a depreciação em junho foram ambas explicadas pelas diferentes condições externas que se apresentaram nesses meses.

 

Por fim, é fato que o Brasil enfrenta hoje uma fuga de capitais, com os agentes avessos ao risco. A recuperação gradual da economia nos próximos anos, o que inclui a superação de uma crise não só econômica, como também sanitária e política, pode fazer com que o fluxo de capitais retorne aos patamares anteriores à pandemia. O tempo que essa recuperação levará ainda é tema de debate, alguns acreditando que será mais rápido, o famoso movimento em “V”, outros defendendo que haverá maior lentidão. Diante da incerteza e da discussão, fato é que a pauta exportadora pode ter “blindado” a economia do país em meio a um dos piores contextos macroeconômicos já vivenciados.

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