O desemprego está controlado?

 

O mercado de trabalho continua sendo afetado pelas medidas de combate ao avanço do coronavírus, especialmente o que diz respeito ao isolamento social, com a paralisação de muitas atividades econômicas. Contudo, os aumentos sucessivos da taxa de desemprego registrados pelo IBGE ainda não fazem a referida taxa chegar perto das projeções dos especialistas econômicos, que acreditam no rompimento do patamar de 18% da taxa de desocupação até o final do ano. Mas por que existe essa diferença tão grande entre a projeção e a taxa efetivamente verificada?

 

O que explica o eventual "controle" aparente da taxa de desemprego é o aumento significativo do número de pessoas desalentadas, que são os indivíduos que deixaram de procurar emprego em razão das condições adversas geradas pela pandemia. Os desalentados não entram no cômputo da taxa de desemprego, que é calculada pelo número de pessoas desempregadas, que são aquelas que buscam emprego e não encontram, dividido pela força total de trabalho, composta por empregados mais desempregados. Segundo dados do IBGE, o número de pessoas desalentadas saltou de 5 milhões, até o fim de fevereiro, para 5,4 milhões de brasileiros até o fim de maio. 

 

O auxílio emergencial possui grande influência sobre a taxa de desemprego. Muitas pessoas desempregadas que estão recebendo o coronavoucher desistiram momentaneamente de procurar um emprego, reforçando o grupo de desalentados. É provável, porém, que assim que houver o pagamento das últimas parcelas do auxílio emergencial nos próximos meses, as referidas pessoas que recebiam o benefício do governo passem a procurar um emprego no mercado, o que fará a taxa de desemprego aumentar significativamente, podendo atingir as altas projeções dos especialistas. 

                                              

Por ora, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE e divulgada na terça-feira, dia 30 de junho, mostram que a taxa oficial de desemprego no Brasil subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio. O resultado representa uma alta de 0,6 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre de 2019 (12,3%). Apesar de ainda não ser tão alta, essa já é a maior taxa de desemprego desde o trimestre encerrado em março de 2018. 

 

A pandemia da Covid-19 destruiu 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil até o fim do mês de maio, conforme informou o IBGE. Isso acabou proporcionando a diminuição da população ocupada, que passou para 85,9 milhões de trabalhadores. Dessa forma, pela primeira vez, desde 2012 (ano de início dos registros da PNAD Contínua), verifica-se um cenário em que menos da metade das pessoas em idade para trabalhar (acima de 14 anos) está empregada. Além disso, ainda houve um aumento dos pedidos de seguro-desemprego de trabalhadores com carteira assinada na primeira metade de junho, segundo os dados da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, divulgados no dia 25 de junho. Foram requeridos 351.315 benefícios de seguro-desemprego na primeira quinzena de junho de 2020, contra 260.228 pedidos no mesmo período do ano passado. 

 

Em meio a um cenário de recessão e previsão de queda do PIB (Produto Interno Bruto) para este ano, o IBRE/FGV projeta que a taxa média de desemprego em 2020 deva atingir 18,7%. O patamar de 12,9%, verificado no final de maio, ainda está bem distante dessa projeção. Mas o fim do pagamento do auxílio emergencial e a liberação gradual das atividades econômicas pode fazer o número de desalentados diminuir e a taxa de desemprego saltar para um número próximo dos 18% rapidamente. Caberá às autoridades governamentais estabelecer políticas para frear esse possível avanço. 

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