Para onde foi o crédito durante a pandemia?


O volume de crédito concedido aos setores financeiro e não financeiro da economia teve um aumento, neste caso, de 0,9% no último mês de maio, alcançando 10,9 trilhões de reais. Apesar do aumento do crédito disponível às empresas do setor não financeiro, existem diversos fatores que impedem que o mesmo chegue aonde ele se faz mais necessário, com destaque para a falta de garantias, burocracia, quantidade de exigências bancárias, falta de relacionamento bancário, taxa de juros elevada, a empresa não se encaixar nas exigências e demais dificuldades. Segundo um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia – IBRE, somente 28,6% (indústria de Transformação), 40,1% (Serviços), 54,1% (Comércio) e 34,4% (Construção) das empresas não apresentaram dificuldades para a obtenção do crédito em junho.


Já as operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceram 0,3% em maio, apresentando um saldo de R$ 1,6 trilhão para as Pessoas Jurídicas (PJ) e 2 trilhões de reais às Pessoas Físicas (PF), totalizando 3,6 trilhões de reais. Nesses tipos de operações são possíveis as Operações de Crédito com Recursos Livres (OCRL), que cresceram 7 bilhões de reais, apresentando R$ 1 trilhão para PJ, e as Operações de Crédito com Recursos Direcionados (OCRD), que totalizam R$565 bilhões para PJ, tendo aumentado 3 bilhões de reais, segundo dados, do Banco Central, que se referem ao final do mês de maio com relação a abril.


As OCRL correspondem aos contratos de financiamentos e empréstimos com taxas de juros pactuadas livremente entre Instituições Financeiras (IF) e quem recebe o empréstimo, nos quais seus credores têm autonomia sobre a destinação dos recursos captados em mercado. Já as OCRD são regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou vinculadas a recursos orçamentários destinados à produção e investimento de médio e longo prazos aos setores imobiliário, rural e de infraestrutura, o que acaba por diminuir a flexibilidade da utilização desses recursos, que são oriundos de parcelas das captações de depósito à vista e de caderneta de poupança, além de fundos e programas públicos.


Houve, no mês de maio, o aumento do crédito disponível para PJ, porém existem diversas externalidades que dificultam a sua execução, desde a empresa não se enquadrar no projeto até a falta de garantias que assegurem a quitação do empréstimo em caso de inadimplência. No momento atual, com a reabertura do comércio, ainda com restrições, será possível avaliar o impacto tanto do estímulo econômico como a capacidade produtiva das empresas, visto que a principal utilidade do crédito obtido foi o financiamento do capital de giro para todos os setores analisados, a fim de garantir às empresas um fôlego para a manutenção das operações de curto prazo, ainda que as mesmas não tenham previsão de lucro em um horizonte próximo.

#Macroeconomia

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