O pior já passou: há algo a comemorar?

 

Produzido originalmente para o jornal Tribuna de Minas.

Os meses de maio e junho foram marcados por um aparente controle da pandemia do coronavírus na maioria dos países desenvolvidos. Essas nações estão conseguindo avançar com as propostas de reabertura da economia, ainda que haja bastante cautela para evitar uma nova onda de contaminação. Alguns dados desses últimos meses já mostram uma gradual recuperação econômica dos referidos países. O pior parece ter ficado para trás. 

 

O processo de recuperação da atividade econômica, contudo, tende a ser bastante heterogêneo entre os países. Enquanto a retomada da economia é mais rápida na China, por exemplo, que foi pioneira no enfrentamento da Covid, no Brasil esta recuperação ainda deve demandar mais tempo, uma vez que o país sul-americano ainda segue sofrendo com o aumento do número de casos e de mortes em todo o território. 

 

Apesar da recuperação aparente dos países, os impactos provocados pela pandemia do coronavírus ainda acabam incidindo nas previsões econômicas de importantes órgãos multilaterais. Os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgados no mês de junho, mostram uma piora generalizada para a atividade econômica mundial. O FMI aponta que o PIB Mundial deve recuar 4,9% neste ano - a previsão anterior era de queda de 3%. No caso específico do Brasil, a nova estimativa do FMI indica uma queda de 9,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. A projeção anterior, feita em abril, indicava queda de 5,3%. 

 

O relatório IBRE/FGV do mês de junho projeta uma queda de 6,4% do PIB brasileiro em 2020, prevendo ainda uma grave crise fiscal e um quadro recessivo mais intenso e duradouro. Os fatores que mais contribuem para essas projeções são o abalo na economia doméstica provocado pela doença infecciosa, que afetou a confiança de consumidores e empresários, e o impacto internacional, que afetou o fluxo de capitais para países emergentes e os preços das commodities. 

 

A projeção do IBRE/FGV parece mais próxima da realidade e vai ao encontro da estimativa levantada na coluna “Conjuntura e Mercados” do dia 26 de maio, quando foi dito que a queda do PIB brasileiro no ano de 2020 ficaria em torno dos 6%. A projeção do FMI para o Brasil parece muito severa e pouco provável de ser verificada, considerando a retomada das atividades no país e a gradual recuperação econômica prevista para os dois últimos trimestres do ano de 2020. 

 

Apesar de o pior provavelmente já ter passado para a maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil, em relação aos impactos econômicos provocados pela pandemia do coronavírus, é bastante provável que os reflexos da doença e do combate à mesma ainda sejam sentidos em diversos indicadores de atividade econômica. A recuperação tende a acontecer nos próximos meses e ela pode ser fundamental para impedir uma queda mais acentuada do PIB.

 

Se de fato o ‘tornado’ já passou, agora é hora de verificar os prejuízos e arrumar a casa.

 

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