Os produtos estão mais baratos?

 

Durante os meses de abril e maio foi possível perceber que a inflação medida para artigos essenciais, sobretudo os relacionados à alimentação, não teve expressividade suficiente para compensar a queda generalizada dos preços de bens e serviços percebida nas outras categorias de consumo, o que resultou em deflação. Você pode estar se perguntando, no entanto, o que seriam esses dois fenômenos e como os mesmos afetam o dia a dia de um consumidor comum?

 

A inflação representa o aumento no nível médio dos preços da economia – as pessoas começam a perceber que conseguem comprar menos itens e serviços com a mesma quantidade de dinheiro em mãos. A deflação, pelo contrário, representa uma diminuição nos preços dos bens e serviços na economia, aumentando o valor real do dinheiro em circulação. Apesar de parecer uma fenômeno vantajoso, uma deflação prolongada pode trazer grandes malefícios à economia, visto que esse processo está altamente correlacionado a períodos de grande recessão e desemprego.

 

O Banco Central do Brasil utiliza o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para medir o comportamento dos preços na economia. Esse índice é utilizado por ser o mais abrangente, representado pelo “A” de IPCA: tal indicador considera o comportamento de consumo equivalente a 90% das famílias de áreas urbanas que possuem rendimento entre 1 e 40 salários mínimos. O IPCA faz essa medição por meio de uma cesta de bens de consumo dividida em nove categorias, onde estão contidos os produtos e serviços mais utilizados entre a parte da população estudada.

 

Após dois meses de valores negativos para o IPCA (0,31% em abril e 0,38% em maio), o índice subiu para 0,26% em junho, acumulando uma alta de 0,10% no ano de 2020. Nesta pesquisa foram utilizados nove grupos dos quais sete variaram positivamente, sendo eles: alimentação e bebidas (0,26%), habitação (0,04%), artigos de residência (1,3%), transporte (0,31%), saúde e cuidados pessoais (0,35%), educação (0,05%) e comunicação (0,75%). Dos grupos citados, os que mais contribuíram para o crescimento do IPCA foram os de alimentação e bebida e o de transportes, que apresentaram, respectivamente, os crescimentos de 0,08 e 0,06 ponto percentual em relação a maio. Houve uma variação negativa somente em dois grupos, vestuário (0,46%) e despesas pessoais (0,05%).

 

Os dados demonstram uma tendência de que o comportamento dos preços retorne à normalidade nos próximos meses. Segundo dados do Banco Central em 10 de julho, a previsão é que o IPCA seja de 1,72% ao final de 2020. Esse resultado, contudo, continua abaixo da meta definida pelas autoridades monetárias, de uma inflação entre 2,5% e 5,5% ao final do ano. Essas distorções carregam consigo os impactos da pandemia na economia brasileira e as decorrentes alterações no comportamento de consumo da população.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Siga no Facebook
  • Facebook CMC