Setor Externo: um estímulo para a recuperação econômica

 

O pior da crise sanitária e econômica dos países do mundo inteiro parece já ter ficado para trás. O número de novos casos, bem como de mortes, ocasionados pela pandemia do novo coronavírus vêm diminuindo consideravelmente de forma geral, conforme os protocolos hospitalares avançam e são descobertos novos tratamentos para a Covid. A reabertura parcial de diversos negócios, além de estímulos fiscais e monetários, nas principais economias do mundo, têm permitido uma gradual recuperação econômica. A tendência é que a retomada ganhe mais força neste próximo trimestre. O Brasil particularmente, ainda parece estar atrás de uma série de países neste quesito. Contudo, um fator tem sido muito importante para atenuar os impactos da crise gerada pela pandemia no país sul-americano: o setor externo.

 

Os cenários projetados antes da pandemia indicavam que o setor externo seria responsável por uma parcela da diminuição do PIB brasileiro no ano de 2020. Porém, a pandemia do novo coronavírus no Brasil mudou esse panorama e os analistas já projetam uma contribuição positiva do setor externo, muito por conta da queda da demanda doméstica que deverá fazer as importações recuarem mais do que as exportações. 

 

Segundo os dados do boletim IBRE/FGV para o mês de julho, na comparação entre junho de 2019 e 2020, as exportações caíram em valor 2,7%, e as importações tiveram uma redução de 19,8%. Em termos de volume, as exportações cresceram 13,1%, e as importações recuaram 14,2%. O aumento das exportações é explicado pelas commodities, que registraram variação de 33,9% na comparação entre os meses de junho. O bom desempenho das commodities revela a liderança do setor agropecuário nas exportações. O crescimento das vendas externas do setor foi de 53,1% entre junho de 2019/2020. 

 

O Brasil, portanto, se consolida como exportador de commodities agrícolas, em especial do complexo de soja. Em junho, os produtos agrícolas responderam por 69% das vendas externas, e somente a soja por 43%. Nesse contexto, a China é o país que avança como principal fonte de contribuição para as exportações brasileiras. A dependência chinesa para a melhora do saldo da balança comercial brasileira é muito grande e o país asiático tem ajudado o país sul-americano a atenuar os impactos provocados pela pandemia do novo coronavírus nesse sentido. 

 

Embora a Covid-19 tenha causado muitos impactos negativos para a economia brasileira, como em relação à atividade econômica, consumo, mercado de trabalho, deterioração do quadro fiscal e aumento da dívida pública, pode-se dizer que o setor externo brasileiro anda na contramão disso tudo. Ele tem servido como um alento no meio de tantas preocupações para as autoridades brasileiras. Nesse contexto, as commodities são as principais responsáveis por impedir um cenário econômico pior do que o vivido pelo Brasil. O saldo positivo da balança comercial, que tende a vigorar, pode ser um estímulo para um salto na recuperação econômica brasileira.

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