Até quando o Coronavoucher pode "segurar" o desemprego?

 

Alguns meses após a implantação das medidas de distanciamento social, em decorrência da pandemia do coronavírus no Brasil, ainda continuamos sofrendo com os reflexos da doença infecciosa sobre o mercado de trabalho. E o cenário poderá ser ainda pior se o auxílio emergencial for cortado pelos próximos meses. O coronavoucher tem sido um grande alento para muitas famílias e um aliado do país na luta contra o desemprego. A pesquisa mensal da PNAD Covid19 mostra que a taxa de desocupação segue aumentando no Brasil, mas que ainda estamos distantes das projeções de taxas de 18% ao ano, conforme alguns analistas apontavam no decorrer dos primeiros meses de medidas de isolamento. 

 

Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Mensal (PNAD Covid19), divulgados no dia 20 de agosto de 2020, a taxa de desocupação passou de 12,4% para 13,1% em julho. Mais 438 mil pessoas ficaram sem emprego neste mês de julho, quando comparado ao mês de junho, sendo que a população ocupada caiu para 81,5 milhões de trabalhadores. Desse total de pessoas ocupadas, 9,7 milhões estavam afastadas do trabalho, sendo que 6,8 milhões destas alegaram que o motivo do afastamento era o distanciamento social. 

 

A proporção de pessoas afastadas por causa da pandemia caiu de 14,2% para 8,3%, dentro do total de pessoas ocupadas, sendo que o declínio foi verificado em quase todas as unidades da federação. Em junho, quase metade dos afastados (48,4%) ficou sem remuneração. A população fora da força de trabalho foi estimada, no último mês, em 76,5 milhões de pessoas, representando uma alta de 2,1% em relação ao mês de junho. Desse total, 28,2 milhões de pessoas gostariam de trabalhar, mas não buscaram emprego, tendo a maioria destes desistido justamente por conta da pandemia do coronavírus. 

 

Ainda de acordo com a PNAD Covid19 Mensal, 30,2 milhões de domicílios brasileiros tiveram acesso ao auxílio emergencial pago pelo governo no mês de julho. Todas as regiões do país tiveram aumento no percentual de domicílios que receberam o auxílio. O coronavoucher pode ainda ser o grande responsável pela taxa de desemprego não ter atingido patamares maiores, alcançando as projeções mais pessimistas dos analistas econômicos. 

 

Espera-se ainda um aumento maior da taxa de desocupação para os próximos meses, justamente porque é provável que a maioria das 28 milhões de pessoas que não buscaram emprego passem a procurar uma ocupação e aumentem assim a estatística da taxa de desemprego. Os impactos do coronavírus devem perdurar por um bom tempo no Brasil, principalmente em relação ao mercado de trabalho. O pagamento sistemático do auxílio emergencial ainda controla de certa forma o número de desempregados, em razão desse grande número de pessoas desalentadas. Mas muito provavelmente a redução e/ou corte do auxílio fará a taxa de desocupação saltar rapidamente para valores bem altos. A situação ainda é preocupante e exigirá acompanhamento e tomada de medidas responsáveis por parte das autoridades governamentais.

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