O efeito rebote do auxílio emergencial

 

Após o pagamento de mais de cinco meses de Auxílio Emergencial, o Governo Federal decidiu ampliar o programa em mais quatro parcelas. O benefício criado inicialmente no mês de abril de 2020 para conter os impactos sociais da crise econômica decorrente da pandemia de coronavírus foi concedido por meio do pagamento de três parcelas de R$ 600,00 destinadas às pessoas maiores de idade em situação de vulnerabilidade social, podendo chegar a R$ 1.200,00 no caso de mulheres que são chefes de família. 

 

Devido à persistência dos efeitos da crise e à consequente queda nos rendimentos habitualmente recebidos pelos trabalhadores, o Governo decidiu expandir o benefício em mais três parcelas em meados de junho, até que o programa ganhou no último dia 2 de setembro um novo prazo de validade - 31 de dezembro - por meio do pagamento de parcelas residuais. O valor dessas novas parcelas corresponderá à metade do realizado até então pelo programa.

 

Para se ter uma ideia, os R$ 98 bi inicialmente orçados não foram suficientes para atender ao número de elegíveis, que chegou a 67,2 milhões de beneficiados. Esse grande número pode ser explicado tanto pelos mais de 20 milhões de brasileiros que se encontravam desbancarizados antes de solicitarem o recebimento do auxílio quanto pela grande redução no contingente de trabalhadores informais, que chegou a 7,6 milhões de pessoas no segundo trimestre deste ano. Com as parcelas adicionais, o programa que já transferiu cerca de R$ 212,76 bilhões aos brasileiros ganhará um montante adicional de R$ 67,6 bilhões, de acordo com a medida provisória 999/2020.

 

Dados da PNAD Covid-19 mostram que, mesmo com os programas emergenciais, os rendimentos médios habitualmente recebidos pelos brasileiros no mês de julho ficaram 13% abaixo do habitual, enquanto 4,4 milhões de domicílios sobreviveram apenas com os recursos provenientes do auxílio emergencial, que chegou a equivaler a 124% dos rendimentos habitualmente ganhos pelas famílias de baixa renda, que focaram seu consumo em itens essenciais.

 

No meio desse contexto, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor – IPCA – atingiu 0,24% em agosto somando 0,7% no acumulado do ano. O resultado que mais chamou atenção foi o grupo de alimentos, que atingiu uma inflação de 0,78%. O valor foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços do tomate (12,98%), óleo de soja (9,48%), leite longa vida (4,84%), frutas (3,37%), carnes (3,33%) e arroz (3,08%), que acumula uma alta de 19,25% neste ano, puxada pelo aumento nas exportações desses itens.

 

Fica visível, portanto, que o Governo Federal, por meio dos programas de transferência de renda, tenta amenizar os efeitos da crise econômica decorrente da pandemia, porém o custo é alto, chegando R$ 376,59 bi até o momento. O impacto social de tais programas é refletido no aumento na demanda interna por itens essenciais. No entanto, esse efeito combinado com fatores internacionais fez o preço de muitos produtos agrícolas dispararem, criando um verdadeiro efeito rebote que afeta em grande sobretudo as famílias mais vulneráveis.

 

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